Finalmente Bjork brindou o público Português trazendo “cornucópias” na noite de 1 de setembro à Altice Arena onde traduziu a sua presença em canções por vezes estranhas e/ou difíceis, numa configuração sonora e de palco extremamente interessante, numa reviravolta única no que pode ser um espetáculo pop, ou não.
É verdade que Bjork cada vez se preocupa menos com o que o público quer, criando em palco apenas um reflexo da sua própria sensibilidade artística, mas proporcionando uma experiência totalmente imersiva, de forma a não deixar qualquer sentimento de perda pela falta dos hits na set list de cada concerto.
Acompanhada por 18 membros de um coro feminino islandês, o Hamrahlíð Choir, Bjork surgiu em palco em segundo plano ao som de “The Gate”, como uma porta que se abre para o universo fantástico da islandesa. Seria com “Utupia” que a viagem entre uma apresentação do Circle de Soleil e uma final da eurovisão, que soariam as mais diversas cornucópias sonoras.
Alias, “Utopia” e “The Gate“, deram a entender uma destruição atonal que poderia devastar o mundo cornucópio, com flautas e sonoridades mais electrónica, a contrastar com a voz (nunca) crua de Björk. Seria essa distenção sonora que iria marcar de forma transcendente a noite de Bjork em Lisboa.
À medida que as luzes diminuíam e fluíam em cada nova cornucópia sonora, cada encenação era desmembrada como um brinquedo novo arruinado.
Björk movimentava-se em palco sempre jogando com os planos do mesmo, de forma a cantar para o coro e músicos ou libertando-se das cortinas e tranpondo-se para primeiro plano de forma a enfrentar o público.
A mascara, já habitual nas suas apresentações, remeto-nos por instantes para o seu vestido negro, exibido na passadeira vermelha da 73ª terceira edição dos Óscares, duas décadas atràs e onde a própria Björk libertou as amarras para crescer e inovar, sobretudo numa época em que a cultura pop já a apanhou.
A noite chega ao fim e a resposta ao que se passou me palco na Altice Arena, ficou clara na sua exuberante apresentação cénica “Cornucopia“, mergulhar mais fundo do que nunca nas suas próprias obsessões.
Sempre numa performance emotiva, os músicos que acompanhavam Bjork, incluindo na percurssão Manu Delago exploravam as canções de uma forma irreverente e expressiva, evocando fadas numa floresta, mais etérea em movimentos, ironia à parte, do que, digamos, a banda de David Byrne em “American Utopia”.
Alinhamento:
The Gate
Utopia
Arisen My Senses
Ovule
Show Me Forgiveness
Isobel
Blissing Me
Victimhood
Fossora
Atopos
(Arpegggio)
Body Memory
Hidden Place
Mouth’s Cradle
Features Creatures
Courtship
Pagan Poetry
Losss
Sue Me
Tabula Rasa
? Elisabete Miranda
? Santiago Filipe
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Ficha Técnica
hamrahlíð choir
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headpieces @james.t.merry
shoes @maisonmargiela
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hair @_vascofreitas_
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