Quatro décadas após o início da Duranmania em Portugal os Duran Duran regressam a Lisboa

Os Duran Duran regressam a Portugal para um concerto na MEO Arena, em Lisboa, no dia 3 de novembro, para um novo reencontro do público português com um dos projetos mais influentes, inovadores e duradouros da música contemporânea. Com mais de quatro décadas de carreira, acima de 100 milhões de discos vendidos em todo o mundo e uma entrada no Rock & Roll Hall of Fame, a banda britânica continua a impactar sucessivas gerações.

Em Portugal, a história dos Duran Duran começou ainda antes de o grupo se tornar um fenómeno global. As canções chegaram através da rádio e da televisão, passaram pelas páginas das revistas e chegaram às paredes dos quartos de quem cresceu nas décadas de 1980 e 1990. Numa época sem smartphones, plataformas de streaming, YouTube ou redes sociais, descobrir música nova implicava esperar que uma canção passasse na rádio, comprar uma revista, gravar uma cassete ou esperar pelo videoclipe na MTV, que dominava a cultura pop. Os Duran Duran foram uma das bandas que mais contribuíram para esta transformação, combinando música e imagem através dos vídeos, da roupa e da estética New Romantic: fatos de corte irreverente, cabelos trabalhados, maquilhagem, lenços e acessórios tornaram os cinco músicos tão reconhecíveis pelo visual como pela música.

Em 1981, “Planet Earth”, o primeiro single dos quinteto, chegou ao Número 1 em Portugal. O Diário de Notícias recordaria mais tarde a dimensão do sucesso do grupo no mercado nacional: o álbum de estreia vendeu cerca de 70 mil exemplares, um número bastante elevado para a época, e David Ferreira, então ligado à indústria discográfica, descreveu o “fenómeno Duran Duran” no país como “fortíssimo”.

Um ano depois, já no auge da chamada Duranmania, a banda chegou aos palcos portugueses com três concertos: dois no Dramático de Cascais, a 17 e 18 de outubro, e outro no Pavilhão Infante de Sagres, no Porto, a 20 de outubro. O jornalista Nuno Galopim, ao recordar o espetáculo em Cascais, numa reportagem da Lusa publicada pela RTP, resumiu a memória daqueles espetáculos numa expressão: “a loucura Duran Duran”. O vocalista dos Delfins, Miguel Ângelo, viu os Duran Duran no Dramático de Cascais quando tinha cerca de 14 anos e recordou o momento, em entrevista à Rádio Comercial: “Vivi muito os anos 80 e a MTV. Era fascinante esperar pelo novo teledisco daquela banda”. Sobre os Duran Duran, acrescenta que os vídeos tinham “grandes produções cinematográficas” e que a componente visual era essencial para a sua geração.

A dimensão dos videoclipes foi, de facto, uma das marcas mais importantes do coletivo. “Hungry Like the Wolf” chegou a rotação máxima na Music Television e tornou-se um dos vídeos mais reproduzidos da história do canal. “Rio”, “Save a Prayer” e “Girls on Film” contribuíram para consolidar os Duran Duran como uma referência global. Em Portugal, essa dimensão visual chegava também através das revistas, transformando Simon Le Bon, John Taylor, Nick Rhodes, Roger Taylor e Andy Taylor em rostos reconhecíveis e referências de estilo.

Tozé Brito, cantor, compositor e músico, acompanhou de perto o fenómeno enquanto trabalhava na indústria discográfica. Ao Diário de Notícias, comentou essa mudança: “Vendiam-se canções através da imagem dos telediscos”. Júlio Isidro, uma das figuras mais importantes da rádio e televisão portuguesas, recordou também ao Diário de Notícias que começou a passar os primeiros discos dos Duran Duran na rádio “com uma adesão extraordinária”. O entusiasmo dos fãs foi tão grande que o apresentador recorda ainda que “foi a primeira vez que houve vidros partidos” junto a uma carrinha próxima do antigo Teatro Aberto, onde decorria um dos seus programas.

Nos anos 90, os Duran Duran voltaram a reinventar-se. “Ordinary World” e “Come Undone”, lançados em 1993, marcaram uma nova fase musical e visual e permitiram que chegassem a novos ouvintes. Até porque, ao longo da carreira, continuaram sempre a renovar a sua sonoridade e imagem sem, no entanto, deixarem de ser reconhecíveis.

Também em Portugal, a história dos Duran Duran prosseguiu. Depois dos três concertos de 1982, regressaram ao nosso país em 2005, para um Coliseu dos Recreios esgotado, passaram pelo Super Bock Super Rock em 2008 e voltaram para atuar no Rock in Rio Lisboa em 2022. Na altura, o jornalista Ricardo Farinha escreveu na NiT que os Duran Duran eram responsáveis por muitos dos “hinos de juventude” de várias gerações, enquanto para Paulo André Cecílio, do 24 Notícias, clássicos como “Wild Boys”, “Girls on Film” e “Save a Prayer” “transportaram os presentes para o tempo da sua juventude”.

A banda inglesa tem vindo a manter uma relação contínua com o público e o seu catálogo continua a ser descoberto por novos fãs, através dos discos, dos videoclipes e das plataformas digitais.

No próximo dia 3 de novembro, os Duran Duran regressam à MEO Arena, em Lisboa, para um concerto que reunirá alguns dos maiores clássicos e o seu trabalho mais recente. A primeira parte do espetáculo estará a cargo do artista luso-sueco Filipe Karlsson, que sobe ao palco para apresentar o novo EP, “Aquele Abraço”.


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🖋 Redação / press release

📸 Alan Gelati

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