O quarto e último dia do Vodafone Paredes de Coura 2026 ganhou uma nova dimensão quando Thundercat subiu ao palco. O músico norte-americano transformou o recinto num espaço onde o funk, o jazz, a soul e a eletrónica puderam coexistir sem pedir licença.
No centro de tudo esteve o baixo. Nas mãos de Thundercat, o instrumento deixou de ser apenas parte da secção rítmica para assumir o papel de protagonista. As linhas rápidas, elásticas e imprevisíveis pareciam desafiar constantemente aquilo que se espera de um baixo elétrico.
Acompanhado pela sua banda, construiu uma atuação cheia de mudanças, detalhes e pequenas surpresas. Uma melodia podia começar de forma descontraída e, segundos depois, transformar-se numa passagem tecnicamente vertiginosa, sem nunca perder a musicalidade.
Havia virtuosismo, mas nunca parecia existir a necessidade de o exibir. Thundercat tocava com uma liberdade quase desconcertante, deixando que o jazz encontrasse o funk e que ambos se cruzassem com uma sensibilidade pop que tornou o seu universo tão particular.
Em vez de uma explosão imediata, o concerto pedia atenção às diferentes camadas, aos ritmos e às mudanças que aconteciam constantemente em palco.
E quanto mais se ouvia, mais havia para descobrir.
Thundercat conseguiu criar um concerto simultaneamente sofisticado e descontraído. Havia momentos de pura técnica, mas também espaço para humor, groove e uma espontaneidade que tornou a atuação próxima, apesar da complexidade musical.
No último dia de Coura, o músico mostrou que um concerto pode ser uma espécie de viagem sem destino definido. Basta seguir o baixo e deixar que a música indique o caminho.
A noite avançava.
O festival aproximava-se do fim.
Mas Thundercat ainda tinha um universo inteiro para explorar.
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🖋 Diana Silva
📸 Paulo Homem de Melo


