Ainda havia alguma luz de verão a resistir no horizonte quando os Them Flying Monkeys chegaram ao palco do Bons Sons 2026. Segundo cabeça de cartaz do segundo dia, a banda trouxe para Cem Soldos um concerto que encontrou no rock alternativo a matéria-prima para construir uma das atuações mais elétricas da noite.
A dimensão do momento percebeu-se logo na forma como o público recebeu a banda. O espaço diante do palco foi ganhando movimento e, quando os primeiros acordes começaram a preencher o recinto, a aldeia pareceu mudar de ritmo. Já não era apenas mais um concerto no alinhamento: era um dos grandes encontros da noite.
Os Them Flying Monkeys apresentaram uma atuação assente na força das guitarras, em ritmos intensos e numa energia que foi crescendo de música para música. A banda mostrou-se particularmente eficaz na construção de ambientes, passando de momentos mais contidos para explosões sonoras que encontravam imediatamente resposta na plateia.
Havia uma sensação de liberdade em palco. Os músicos movimentavam-se com naturalidade, deixando que a própria dinâmica das canções conduzisse o espetáculo. Sem transformar cada momento num exercício de excesso, souberam criar tensão, libertá-la e voltar a construí-la, mantendo o público atento e envolvido.
Com o avançar da noite, já sob o céu de verão de Cem Soldos, a relação entre banda e plateia tornou-se cada vez mais evidente. Como segundo cabeça de cartaz, os Them Flying Monkeys tinham pela frente o desafio de justificar o lugar de destaque no programa. Fizeram-no através de um concerto sem necessidade de grandes artifícios, confiando na força das canções e numa presença em palco suficientemente poderosa para ocupar aquele espaço.
No Bons Sons 2026, os Them Flying Monkeys escreveram um capítulo marcado por guitarras, movimento e intensidade.
E, naquela noite de verão, fizeram do rock uma língua que não precisou de tradução.
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🖋 Diana Silva
📸 Paulo Homem de Melo


