Yakuza trouxeram um jazz sem fronteiras ao Bons Sons 2026

A noite do segundo dia do Bons Sons 2026 ganhou uma nova textura quando os Yakuza chegaram ao palco de Cem Soldos. O coletivo português apresentou um universo sonoro difícil de encaixar numa só gaveta, cruzando jazz urbano e contemporâneo com uma liberdade que fez da experimentação o verdadeiro ponto de partida.

Desde os primeiros momentos, percebeu-se que não estávamos perante uma atuação convencional. As influências do jazz fusion japonês começaram a encontrar-se com a eletrónica e com o nu jazz londrino, enquanto outras referências, menos óbvias, pareciam surgir entre as camadas sonoras. Até o imaginário das bandas sonoras de videojogos encontrou espaço neste universo, dando ao concerto uma dimensão quase cinematográfica.

O resultado foi uma música em permanente movimento. Os Yakuza construíram ambientes que tanto podiam mergulhar numa batida mais urbana como abrir espaço para momentos de maior liberdade instrumental. Nada parecia excessivamente previsível e era precisamente aí que a atuação encontrava a sua força.

É nessa capacidade de juntar referências sem as tornar previsíveis que reside uma das particularidades dos Yakuza. O coletivo português não procurou escolher entre tradição e modernidade, jazz e eletrónica, improvisação e composição. Preferiu colocar tudo no mesmo espaço e descobrir o que poderia nascer desse choque.

Ao longo da atuação, Cem Soldos tornou-se temporariamente esse laboratório sonoro. Um lugar onde cada batida podia abrir uma nova direção e onde o público era convidado a acompanhar a viagem sem saber exatamente qual seria a próxima paragem.

Quando o concerto terminou, ficou mais do que uma sucessão de sons na memória. Ficou a sensação de ter passado por um universo próprio, deixando para trás o atraso no inicio do concerto.

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🖋 Diana Silva

📸 Paulo Homem de Melo

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