Os valores de Sharon Van Etten & The Attachment Theory no Vodafone Paredes de Coura

Sharon Van Etten & The Attachment Theory lançaram o seu álbum de estreia homónimo, no passado dia 7 de Fevereiro. Este projeto marca uma nova e estimulante dimensão na música de Van Etten, sendo o primeiro a ser escrito e gravado em total colaboração com a sua banda — Jorge Balbi (bateria, máquinas), Devra Hoff (baixo, voz) e Teeny Lieberson (sintetizador, piano, guitarra, voz) — permitindo-lhe uma liberdade criativa inédita.

Os temas permanecem clássicos de Sharon, mas a sonoridade é mais refrescante e cuidadosamente polida.

Foi com muito fumo e uma luz púrpura que ao inicio da noite o Vodafone Paredes de Coura se vestiu a rigor para receber Sharon Van Etten & The Attachment Theory.

Um conjunto de sonoridades vibrantes que se acumularam como um conjunto de nuvens numa tempestade em palco. Sharon Van Etten assume o palco desde o inicio, estendendo os braços cantando “Who wants to live forever?” Quando a faixa de abertura do álbum homónimo da banda assume o seu climax, somos brindados por uma chuva de luzes.

Os agudos operáticos de Van Etten são delicados como cristal, mas conseguem perfurar os elementos mais metálicos das canções do álbum. A sua mão move-se ao lado do corpo, por vezes como uma maestrina a marcar o tempo, outras como uma bruxa a lançar um feitiço.

Teeny Lieberson opera entre outros instrumentos a parte electronica da banda, como se fosse um feiticeira. A sequência de notas que inicia “Afterlife” é recebida com euforia. Van Etten pega na guitarra para a irresistível “Idiot Box “ e agradece ao público por se juntar ao seu “travelling freakshow.”, naquele que foi o primeiro concerto da sua nova digressão pela Europa.

Em palco assistimos a uma mistura de canções antigas e novas. Com temas mais lentos e tempestuosos como “Southern Life (What It Must Be Like)”, o público fica em transe; e com êxitos como “Every Time the Sun Comes Up”, vibra ajudando a construir o ritmo que se junta à “família escolhida”.

Bem consciente da escuridão presente no mundo atual, Van Etten explica que é por isso que “we find music that makes us feel shit”, encerrando desta forma o concerto com os valores que Van Etten partilhou em palco, ser abraçada pela arte e pela humanidade.

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? Sandra Pinho

? Paulo Homem de Melo

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