Em janeiro de 1998, os Air lançaram “Moon Safari”, um álbum que catapultou Nicolas Godin e Jean-Benoît Dunckel, dois jovens de 20 e poucos anos, para o degrau mais alto da escada da música electrónica.
Godin e Dunckel foram abençoados com a capacidade de intuir canções pop que poderiam, e de facto, cativar os meios de comunicação social: “Moon Safari” contém um universo. Hoje, o legado do disco é canónico, mas na altura do lançamento, o seu sucesso multimilionário estava longe de estar assegurado.
Em 2024 apresentaram em Portugal pela primeira vez a celebração dos 25 anos de “Moon Safari”. O Vodafone Paredes de Coura recebeu neste último dia a dupla nerd francesa de Versalhes que recriou mais uma vez esse disco icónico, amadurecido pelo tempo mas sempre com a sua estética retro-futurista e produção requintada, com um toque de élan à la Serge Gainsbourg e mais do que uma pitada de sensualidade.
Mas “Moon Safari” sofreu com a sua popularidade e sucesso, o disco tornou-se tão omnipresente, inspirando bandas medíocres, que os Air acabaram por se tornar quase persona non grata nos anos 2000, com a sua carreira prejudicada pela presença insuportável do seu álbum de estreia.
Nessa altura, os Air ambicionavam ser diferentes, tanto visual como sonoramente. Não havia nada de ousado ou descontrolado na banda, nenhum traço de rebeldia capaz de fazer o coração acelerar, e pouco em termos de batidas para dançar como ficou comprovado no palco Vodafone neste último dia do festival.
Mas para a história desta passagem pelo Couraiso, os Air escolheram ser discretos: uma carícia gaulesa suave ao ouvido, em vez de um abraço apertado e voluptuoso de outros projectos musicais que marcaram este último dia.
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? Sandra Pinho
? Paulo Homem de Melo


