O regresso do exorcismo sonoro de Corinne Bailey Rae

O festival Douro & Porto Wine Festival regressou nos dias 5 e 6 de julho ao Porto Comercia de Cambres em Lamego.

Corinne Bailey Rae editou em 2023 um novo álbum depois de um interregno de sete anos. “Black Rainbows” é um ambicioso trabalho concetual inspirado nas obras da artista de Chicago Theaster Gates e foi apresentado na segunda noite do festival Douro & Porto Wine Festival, definitivamente o local errado para a apresentação do mesmo, depois de já termos assistido a este concerto na Casa da Música no Porto alguns meses atràs.

“Black Rainbows” é um álbum denso que marca um novo rumo na carreira da artista longe dos sucessos do ano de 2006.

Corinne levou-nos até Chicago, a cidade do vento mas também a cidade da cultura. De forma efusiva somos brindados por histórias que antecedem as canções, histórias de objectos, livros e sensações vividas pela britânica no Chicago Theaster Gates, edifício recuperado e que alberga uma parte significativa da cultura pop norte americana.
Ao longo de revistas ou de livros que Corinne Bailey Rae encontrou nesse espaço único, as suas histórias abrangem muito mais do que lhe é apresentado fisicamente. Navega pela cultura pop de um exemplar da revista Life dos anos 50 onde alguns pormenores e apontamentos secundários, levam as suas canções a exorcizar o passado discriminatório da sociedade norte americana.

Somos igualmente levados a conhecer a história passada na América rural do século XIX, de uma escrava de 17 anos que viveu escondida num buraco durante 7 anos a aguardar a sua liberdade, depois de se evadir da quinta onde era dominada pelo “homem branco”.

Mas o Chicago Theaster Gates era muito mais que tristezas e infortúnios, era um espaço de celebração, de liberdade, de homenagem a Frankie Knuckles, um espaço de dança.

No final uma sensação de libertação, de exorcismo, de limpeza de alma que soube a pouco, pouco mais de uma hora bem preenchida de música e muitas histórias. Desta vez “aquela música” não ficou de fora, Corinne Bailey Rae tinha um fio condutor…. “Black Rainbows” que se desviou, talvez numa tentativa de chamar o público junto do palco.

🖋 Sandra Pinho

📸 Paulo Homem de Melo

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