Nunca Mates o Mandarim levaram o bailarico português para o Indie Music Fest 2026

O segundo dia do Indie Music Fest 2026 encontrou uma das propostas mais particulares da nova música portuguesa. Vindos do Porto, Nunca Mates o Mandarim chegaram ao palco com uma fórmula que cruza o indie-pop-rock alternativo com referências à música popular e ao bailarico tradicional português.

Formado em 2022, o trio é composto por João Amorim, na voz e guitarra, Manuel Dinis, na guitarra e voz, e João Campello, na bateria. Juntos, exploram uma linguagem que parte do universo indie, mas não tem receio de olhar para outras tradições musicais e trazê-las para o presente.

Essa mistura é precisamente uma das características mais interessantes do grupo. As guitarras e a energia do rock alternativo encontram melodias e ritmos que remetem para o imaginário popular português, criando um contraste entre aquilo que reconhecemos e aquilo que esperamos ouvir num projeto indie contemporâneo.

Há, por isso, uma espécie de diálogo entre gerações na música dos Nunca Mates o Mandarim. O universo do bailarico, das melodias populares e da tradição portuguesa encontra novas formas de expressão através de uma banda que não pretende separar passado e presente.

Até o nome do grupo nasce desse cruzamento entre música e literatura. Nunca Mates o Mandarim é uma referência direta a “O Mandarim”, a célebre obra de Eça de Queiroz, trazendo para a identidade da banda uma dimensão literária que acompanha a sua vontade de construir um universo próprio.

No Indie Music Fest, o trio acrescentou assim uma nova camada ao segundo dia do festival. Entre guitarras, bateria e vozes, Nunca Mates o Mandarim mostraram que a música alternativa portuguesa pode olhar para as suas próprias raízes sem perder contemporaneidade.

O Porto encontrou no Indie Music Fest uma banda que gosta de misturar mundos.

Entre o indie e o bailarico, entre o rock e a música popular, Nunca Mates o Mandarim provaram que a tradição também pode ganhar novas guitarras, novos ritmos e uma nova vida.

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🖋 Diana Silva

📸 Paulo Homem de Melo

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