O segundo dia do Indie Music Fest 2026 encontrou nos Celso uma proposta que não olha para o universo alternativo de forma demasiado séria. Formada em 2019, a banda portuguesa chegou ao festival para apresentar “INDIECORNO”, o seu novo álbum, levando consigo uma mistura de eletrónica, folk, indie e pós-punk atravessada por uma boa dose de ironia.
Os Celso construíram o seu percurso através de vários EPs e singles, antes de apresentarem em 2021 o primeiro álbum, “Não Se Brinca Com Coisas Sérias”. Desde então, a banda tem vindo a desenvolver uma identidade onde diferentes géneros podem coexistir sem que nenhum deles precise de assumir o controlo absoluto.
Essa liberdade encontra agora uma nova expressão em “INDIECORNO”. O título diz muito sobre aquilo que o disco procura fazer: brincar, questionar e satirizar o próprio mundo alternativo português, incluindo os seus códigos, tendências e personagens.
Existe aqui uma crítica evidente ao universo indie e à cultura hipster, mas os Celso fazem-no sem se colocarem necessariamente fora daquilo que observam. Pelo contrário, a ironia funciona também como uma forma de olhar para dentro, reconhecendo os absurdos de uma cena musical que, por vezes, pode levar-se demasiado a sério.
Musicalmente, essa atitude encontra espaço numa mistura pouco previsível. A eletrónica cruza-se com elementos folk, o indie encontra o pós-punk e diferentes texturas vão construindo um universo onde a experimentação e o sentido de humor podem coexistir.
A mistura e a co-produção de “INDIECORNO” ficaram a cargo de Pedro Joaquim Borges, contribuindo para dar forma a um disco que assume a provocação como parte essencial da sua identidade.
No Indie Music Fest, os Celso apresentaram assim mais do que um novo álbum. Trouxeram uma espécie de espelho colocado diante da própria cultura alternativa portuguesa, suficientemente divertido para provocar um sorriso, mas também suficientemente crítico para deixar algumas perguntas no ar.
Os Celso mostraram que o indie também pode rir de si próprio.
Entre eletrónica, folk, pós-punk e ironia, “INDIECORNO” encontrou no festival o lugar certo para provar que nem sempre é preciso levar as coisas demasiado a sério.
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🖋 Diana Silva
📸 Paulo Homem de Melo


