O segundo dia do Indie Music Fest 2026 encontrou nos Jepards uma banda que parece ter encontrado a banda sonora perfeita para os tempos que vivemos. Vindos de Fafe, os portugueses apresentam-se como a “soundtrack to the burnout generation”, cruzando a atitude despreocupada do Britpop dos anos 90 com a energia dançável do pós-punk.
Há nessa combinação uma contradição particularmente interessante. De um lado, a herança de uma década marcada por guitarras, melodias fortes e uma atitude que ajudou a definir o Britpop. Do outro, a urgência rítmica do pós-punk, feita de movimento, tensão e vontade de transformar inquietação em energia.
É precisamente nesse espaço entre a euforia e o cansaço que os Jepards encontram o seu território. A música pode convidar ao movimento, mas existe por detrás dela uma realidade reconhecível para uma geração habituada a viver entre a velocidade, a pressão e a necessidade constante de continuar.
A escolha do pós-punk como ponto de encontro com o Britpop permite à banda construir uma identidade que olha simultaneamente para o passado e para o presente. As guitarras mantêm uma componente melódica, enquanto os ritmos acrescentam uma dimensão física que aproxima as canções da pista de dança.
Vindos de Fafe, Jepards representam também uma nova vaga de bandas portuguesas que procuram afirmar-se através de uma linguagem internacional sem perder a sua origem. O resultado é um indie rock direto, energético e suficientemente inquieto para encontrar eco num público que conhece bem aquilo que significa viver em permanente aceleração.
No Indie Music Fest, essa energia encontrou o contexto certo para crescer. Jepards transformaram o conceito de “geração do burnout” numa experiência musical onde o cansaço não significa necessariamente parar.
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🖋 Diana Silva
📸 Paulo Homem de Melo


