O segundo dia do Indie Music Fest 2026 encontrou nos Bardino uma proposta onde a música não precisou de palavras para comunicar. O trio instrumental do Porto chegou ao palco com um universo construído entre eletrónica, jazz, rock e funk, deixando que os instrumentos assumissem o protagonismo.
Formados por Rui Martins nos teclados, Nuno Fulgêncio na bateria e Diogo Silva no baixo, os Bardino encontram precisamente na interação entre os três músicos a essência do projeto. Sem uma voz a conduzir o caminho, cada instrumento ganha espaço para responder aos restantes e contribuir para uma sonoridade em permanente movimento.
Os teclados acrescentam diferentes texturas e ambientes, enquanto o baixo estabelece uma base que tanto pode aproximar-se do funk como mergulhar em territórios mais ligados ao rock. A bateria mantém tudo em constante transformação, criando ritmos que permitem ao trio navegar entre diferentes linguagens sem perder coerência.
É essa liberdade que torna os Bardino particularmente interessantes. O jazz oferece espaço para a exploração, o rock acrescenta intensidade, o funk introduz groove e a eletrónica abre novas possibilidades sonoras. Nenhum destes elementos aparece como simples decoração: todos fazem parte de uma linguagem que se constrói através do diálogo.
A ausência de voz também altera a forma como se escuta a música. Sem letras para conduzir uma narrativa, são as texturas, os ritmos e as próprias dinâmicas instrumentais que criam diferentes ambientes. Cada passagem pode sugerir uma direção e, no momento seguinte, levar o público para outro lugar.
Vindos do Porto, Bardino acrescentaram assim ao segundo dia do Indie Music Fest uma dimensão mais experimental e instrumental, mostrando como três músicos podem construir um universo suficientemente amplo sem precisar de recorrer a uma fórmula tradicional.
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🖋 Diana Silva
📸 Paulo Homem de Melo


