O Indie Music Fest 2026 ganhou uma personagem difícil de colocar dentro de uma só gaveta. Femme Falafel chegou ao segundo dia do festival com uma proposta onde pop, eletrónica, ironia e teatralidade se encontram num universo tão divertido quanto imprevisível.
Por detrás do projeto está Raquel Pimpão, cantora, compositora e pianista portuguesa que encontrou na música uma forma de transformar situações do quotidiano em matéria-prima para canções que tanto podem provocar um sorriso como deixar uma ideia a ecoar depois do último refrão.
Femme Falafel não parece interessada em escolher entre o elegante e o absurdo. Pelo contrário, é precisamente dessa convivência que nasce grande parte do seu encanto. A música pode aproximar-se do pop, passar pela eletrónica, mergulhar no indie ou deixar escapar uma influência italo-house, mas existe sempre uma camada de humor pronta a desmontar qualquer excesso de seriedade.
É uma música que sabe brincar consigo própria.
E isso também se sente na forma como as canções são construídas. “Depressão”, por exemplo, transforma uma palavra pesada num território onde a ironia e a vulnerabilidade podem coexistir. Em vez de esconder as contradições, Femme Falafel coloca-as no centro da sua linguagem e transforma-as em espetáculo.
O percurso começou a ganhar maior visibilidade com a participação no Termómetro Unplugged, em 2023, mas o projeto foi encontrando desde então uma personalidade cada vez mais definida. A presença de Raquel Pimpão é fundamental nessa construção: entre teclas, voz e atitude, existe sempre a sensação de que alguma coisa pode acontecer a seguir.
No Indie Music Fest, essa imprevisibilidade encontrou um palco onde a artista pôde explorar precisamente aquilo que a torna diferente. Não houve necessidade de encaixar Femme Falafel numa definição rígida. Bastou deixar que o pop, a eletrónica, o humor e a excentricidade ocupassem o mesmo espaço.
Pela noite, Femme Falafel lembrou-nos que uma boa atuação também pode ser uma questão de personalidade.
Pode ser divertida, estranha, elegante, desconcertante e, sobretudo, impossível de confundir com outra.
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🖋 Diana Silva
📸 Paulo Homem de Melo


