O Indie Music Fest 2026 entrou definitivamente na noite com IBSXJAUR. O duo português formado pela cantautora JAUR e pelo produtor INFRABASSESATURE (IBS) trouxe para o segundo dia do festival uma proposta que parece ter nascido precisamente onde a noite começa a perder regras: entre a pista de dança underground, a experimentação eletrónica e um pop sem medo de se expor.
A história do projeto começa quase como uma cena de um filme. JAUR e IBS conheceram-se por acaso num jardim em Paris, durante uma free party. Desse encontro inesperado nasceu uma parceria que viria a transformar essa energia espontânea numa identidade sonora e visual construída a partir de uma lógica DIY.
E essa filosofia está presente em tudo o que fazem. Os IBSXJAUR não parecem interessados em separar aquilo que é música daquilo que é imagem, atitude ou experiência. O projeto assume a liberdade como ponto de partida e transforma diferentes referências numa linguagem que procura existir fora das categorias mais previsíveis.
Musicalmente, a pista de dança é o centro de gravidade. O techno, o drum and bass e o hyperpop cruzam-se com melodias pop e vozes cruas, criando uma tensão permanente entre o peso dos ritmos e a fragilidade de quem canta. É música feita para o corpo, mas também para expor emoções.
As referências ajudam a perceber algumas das coordenadas deste universo. The Prodigy trazem a energia explosiva, Paramore acrescentam a força emocional do rock e SOPHIE representa uma abordagem à eletrónica onde a experimentação e o pop podem coexistir sem pedir autorização.
Mas IBSXJAUR não vivem apenas dessas referências. O encontro entre JAUR e IBS deu origem a algo próprio, onde a intensidade da música eletrónica encontra uma dimensão mais humana e visceral. A voz não aparece escondida atrás da produção: enfrenta-a.
No Indie Music Fest, essa combinação encontrou o ambiente certo para crescer. A noite já tinha começado a ganhar outra dimensão e os IBSXJAUR chegaram para a tornar mais física, mais imprevisível e mais próxima da energia de uma pista underground.
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🖋 Diana Silva
📸 Paulo Homem de Melo


