Noko Woi abriram o terceiro dia de Coura entre ritmos tropicais e paisagens alternativas

O terceiro dia do Vodafone Paredes de Coura 2026 começou a desenhar-se através de uma música difícil de prender a uma só definição. Noko Woi foram os responsáveis por abrir a nova jornada e trouxeram consigo um universo sonoro onde diferentes geografias parecem encontrar-se sem nunca perder o sentido de direção.

Criado em Barcelona pelo produtor e teclista venezuelano Leo Aldrey, o projeto encontrou em Salvador Sobral a voz principal. A presença do cantor português deu ao concerto uma identidade particularmente interessante, colocando uma voz reconhecível da música nacional dentro de uma paisagem construída a partir de influências muito mais amplas.

O próprio nome Noko Woi ajuda a explicar essa filosofia. A expressão vem da língua Warao, falada na Venezuela, e pode ser entendida como “escutar em redor” ou “ouvir o que está à volta”. Em Coura, essa ideia pareceu ganhar forma através de uma música permanentemente aberta à descoberta.

Salvador Sobral ocupou o centro desse universo com a sua voz suave e emotiva. Em vez de dominar a música, integrou-se nela, permitindo que a voz flutuasse sobre as diferentes camadas instrumentais e desse às canções uma dimensão mais humana.

A sonoridade dos Noko Woi não procura respostas imediatas. Há nela uma certa curiosidade, uma vontade de juntar referências aparentemente distantes — de Radiohead a Os Mutantes, passando por Chet Baker e Grizzly Bear — e perceber o que acontece quando essas influências encontram um novo território.

Foi precisamente essa sensação de descoberta que marcou o início do terceiro dia. O público ainda começava a ocupar o recinto, mas Noko Woi já tinham criado um espaço próprio dentro de Coura, onde as guitarras, a percussão e os sintetizadores se cruzavam sem pressa.

Temas como “Tribes and Rites” e “Naked” ajudaram a revelar esse lado eclético do projeto, nascido entre Barcelona e Londres e construído através de diferentes sensibilidades musicais.

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🖋 Diana Silva

📸 Paulo Homem de Melo

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