O segundo dia do Vodafone Paredes de Coura 2026 chegou ao fim pelas mãos dos Underworld, cabeças de cartaz da segunda jornada. Já pela madrugada, a dupla britânica assumiu o palco e fez aquilo que melhor sabe fazer: transformar um recinto de festival numa pista de dança onde o cansaço deixou de ser uma opção.
A mudança de ambiente foi imediata. Depois de uma jornada que passou por diferentes formas de rock, canção e experimentação, Underworld trouxeram uma linguagem construída a partir de batidas eletrónicas, sintetizadores e ritmos que parecem nunca querer parar.
Karl Hyde tornou-se uma presença central no meio daquele universo sonoro. Entre movimentos constantes, luzes e uma energia quase inquieta, conduziu o público por uma atuação que rapidamente ultrapassou a ideia tradicional de concerto. Aqui, assistir não chegava. Era preciso mexer-se.
A força dos Underworld esteve também na capacidade de criar uma sensação coletiva. A música parecia unir pessoas que, horas antes, tinham estado diante de propostas completamente diferentes. De repente, não importava quem tinha tocado antes ou quanto tempo já tinha passado desde o início do festival.
Só importava o ritmo.
Como cabeças de cartaz, tinham a responsabilidade de fechar uma das jornadas mais longas de Coura. E fizeram-no sem qualquer intenção de abrandar. Pelo contrário, transformaram o final do segundo dia num dos momentos mais físicos e libertadores da edição.
Quando os últimos acordes chegaram, chegou também a confirmação de que o público tinha atravessado a madrugada com a mesma energia com que tinha entrado no concerto.
Underworld não encerraram simplesmente o segundo dia, deram-lhe uma pista de dança.
E quando finalmente as luzes começaram a mudar, ficou no ar aquela sensação rara de que a noite podia continuar muito para além do palco.
__________________________________________________________________________________________________________________________
🖋 Diana Silva
📸 Paulo Homem de Melo


