O primeiro dia do Vodafone Paredes de Coura 2026 continuou a ganhar intensidade quando as Horsegirl chegaram ao palco. Depois de um final de tarde marcado pelo encontro entre First Breath After Coma, Salvador Sobral e um eclipse que transformou o céu, o festival voltou a concentrar todas as atenções na música.
Vindas de Chicago, as Horsegirl apresentaram uma atuação onde guitarras, ruído e melodias se encontraram numa linguagem que parece viver entre o passado e o presente. Há nelas uma relação evidente com diferentes momentos da história do rock alternativo, mas a banda não se limita a reproduzir referências: transforma-as numa identidade própria.
Em palco, a energia surgiu de forma direta. As guitarras criaram diferentes camadas, ora mais ásperas, ora mais melódicas, enquanto a bateria manteve a atuação em permanente movimento. Havia espaço para respirar, mas nunca para perder completamente a tensão.
Horsegirl também trouxeram consigo aquela sensação de descoberta que tão bem combina com Paredes de Coura. Mesmo quando as referências podem parecer familiares, existe algo de imprevisível na forma como são reorganizadas. O resultado é uma música que não procura simplesmente recuperar uma determinada época, mas perceber o que ainda pode ser feito com ela.
Cada guitarra acrescentava uma nova textura, cada mudança de ritmo alterava a temperatura do concerto e a ligação com o público tornava-se mais evidente à medida que o tempo passava.
Depois de um dia que já tinha oferecido momentos bastante distintos, Horsegirl acrescentaram mais uma peça ao mosaico. Uma peça feita de guitarras, atitude e uma vontade evidente de não tornar a música demasiado previsível.
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🖋 Diana Silva
📸 Paulo Homem de Melo


