First Breath After Coma e Salvador Sobral fizeram de Coura uma banda sonora para um eclipse

O primeiro dia do Vodafone Paredes de Coura 2026 ganhou uma daquelas coincidências que dificilmente se conseguem planear. Quando First Breath After Coma e Salvador Sobral subiram ao palco, a música encontrou-se com um dos acontecimentos astronómicos mais aguardados do ano: o eclipse solar de 12 de agosto.

A colaboração entre o grupo português e Salvador Sobral criou um momento de particular intensidade, construído através de diferentes sensibilidades que encontraram no palco uma linguagem comum. As atmosferas instrumentais dos First Breath After Coma cruzaram-se com a voz inconfundível de Salvador, criando uma atuação que pediu ao público atenção e disponibilidade para entrar naquele universo.

Mas, naquele final de tarde, havia outro espetáculo a acontecer acima das cabeças.

O eclipse solar começou a fazer-se sentir no céu português por volta das 18h30, atingindo o seu máximo perto das 19h32 no Porto. Nessa altura, cerca de 98,1% do Sol ficou ocultado pela Lua, transformando progressivamente a luz do dia e criando um ambiente invulgar sobre o recinto de Coura.

E foi precisamente aí que concerto e astronomia se cruzaram.

Enquanto o público de Coura assistia à atuação, teve também a oportunidade de acompanhar o eclipse junto dos artistas em palco — um daqueles momentos raros em que aquilo que acontece num festival deixa de estar limitado ao palco e passa a envolver também o próprio céu. Durante alguns minutos, música e astronomia dividiram o mesmo cenário.

A intensidade do fenómeno foi particularmente percetível porque, durante o máximo, o Sol encontrava-se muito baixo no horizonte, na direção Oeste-Noroeste. A redução da luz ambiente podia provocar uma sensação quase crepuscular e até alterações percetíveis na temperatura e na paisagem sonora natural.

Para quem olhava para cima, a Lua avançava sobre o disco solar; para quem olhava para o palco, First Breath After Coma e Salvador Sobral continuavam a construir a sua própria paisagem sonora.

Em Coura, não houve totalidade, mas houve algo igualmente difícil de repetir: milhares de pessoas reunidas por causa da música e, ao mesmo tempo, com os olhos voltados para o mesmo acontecimento no céu.

E o primeiro dia do Vodafone Paredes de Coura 2026 ficou com uma imagem para guardar: artistas em palco, público diante deles e, lá em cima, o Sol a desaparecer lentamente atrás da Lua.

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🖋 Diana Silva

📸 Paulo Homem de Melo

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