Hard Club aplaudiu de Pé… José Cid

A sala do Hard Club, no Porto, lotou, ontem, dia 17 de dezembro,  para ouvir o carismático, José Cid.

Quem pensou, que iria ouvir os grandes êxitos do cantor, depressa ficou elucidado, que ali só haveria espaço para a apresentação do novo álbum, “Vozes do Além, os outros temas ficariam para um próximo concerto, mais perto da Passagem de Ano, Concerto agendado para 26 de dezembro, no Multiusos de Gondomar.

 

Este novo triplo-álbum em vinil, ou duplo CD, de rock sinfónico, trata o tema da reencarnação, da vida para além da morte. Não se cansou de agradecer aos músicos que o acompanham, nem à sua mulher Gabriela Carrascalão Cid, autora de uma tela, que é capa do disco, e que foi projetada ao longo de todo o concerto, assim como imagens, in loco, do mesmo, enquanto decorria a performance do cantor/compositor e banda em palco.

Concerto sem alinhamento, o músico é que vai apresentando os temas, a autoria dos poemas, o porquê dessa escolha, como o poema se enquadra na temática do disco.

 

O primeiro tema interpretado é um poema da nossa grande poetisa, escritora, Sophia de Mello Breyner Andersen, “Um Dia”, com música de José Cid e Xico Martins. Este tema trata o regresso do homem à vida como um ser livre, como os animais a usufruírem da Natureza, na sua plenitude, sem as amarras de uma ditadura, como se vivia na época.

Seguem-se outros temas, todos dentro da mesma temática, como por exemplo, “Ai!…”, e “Quando” , poemas de Federico Garcia Lorca, poeta espanhol, que morreu com apenas 38 anos, assassinado sob as ordens do ditador Franco; “Creio”, poema de Natália Correia; “Vozes do Além”, poema e música de José Cid; “ Não Há Inferno”, poema de José Cid e Xico Martins; entre tantos outros temas.

 

Destaco o tema “É Esta A Alma Que Eu Tenho”, de Maria Luísa Batista, doente oncológica, cuja música de José Cid tornou o tema ainda mais perfeito, as partes que incluem o saxofone são verdadeiramente excecionais. Destaco, também, o violoncelo, a forma como é introduzido nos temas é única.

Fecha, esta primeira parte, como iniciou, de forma única, com o poema de Sophia, “Um Dia”. Sempre muito aplaudido, muito acarinhado pelo público, que se levanta para o aplaudir.

Entramos na segunda temática, 10 000 Anos Depois Entre Vénus E Marte, mantendo- se o rock, muito instrumental, um álbum dos anos 70.O músico aproveita para destacar que em Portugal há músicos de topo, e que se faz rock muito bom, que somos muito bons e temos que valorizar o que se faz no nosso país.

Foi um grande concerto, ninguém diz que José Cid  tem 80 anos de idade, transborda música por todos os lados, a voz está lá, fechamos os olhos e sabemos que é ele que está a cantar, mesmo ontem, que  voz ainda estava em recuperação.

O público aplaudiu de pé, o “cota”encheu o palco, juntamente com os seus excelentes músicos.

Não podia deixar de referir a tela da esposa, é tudo arte, pintura a inspirar temas e a fazer pesquisar temas que se enquadrem.

Perfeito! Somos grandes, é tão bom ver salas cheias para ouvir os nossos.

O ser humano não morre, fica sempre uma marca da sua passagem, mesmo que seja ténue, não deixa de estar presente.

 

Reportagem: Ana Cristina
Fotografias: Paulo Homem de Melo

Partilha