O quinto e último dia do CA Vilar de Mouros 2026 entrou no seu momento mais aguardado com Body Count ft. Ice-T, cabeças de cartaz da última jornada. A banda norte-americana chegou ao palco para cruzar rap e metal numa atuação intensa, agressiva e impossível de ignorar.
À frente do projeto, Ice-T assumiu o comando com a presença de quem conhece profundamente a linguagem do hip-hop e sabe transportá-la para um palco de rock. Ao seu lado, os Body Count fizeram o resto: guitarras pesadas, bateria poderosa e riffs que transformaram o recinto numa enorme massa de som.
A força dos Body Count está precisamente nessa mistura.
O rap oferece a palavra.
O metal oferece o impacto.
E quando os dois se encontram, nasce uma música que não pede licença.
Em Vilar de Mouros, essa combinação ganhou uma dimensão particularmente física. As guitarras entraram com peso, a bateria manteve a pressão e Ice-T conduziu o público através de uma atuação onde a atitude esteve sempre no centro.
Mas os Body Count nunca foram apenas sobre volume.
A banda construiu uma identidade marcada pela frontalidade, pela crítica social e pela recusa em suavizar aquilo que pretende dizer. As letras funcionam como extensão da energia instrumental, transformando cada música numa declaração.
No palco, essa postura tornou-se evidente.
Ice-T manteve uma comunicação direta com a plateia, enquanto os restantes músicos criavam uma parede sonora que parecia crescer a cada momento. O público respondeu com entusiasmo, acompanhando uma atuação que não deixou espaço para indiferença.
Depois de uma noite que já tinha passado pelo punk e pelo ska, Vilar de Mouros entrou definitivamente no peso.
E entrou sem travões.
Os cabeças de cartaz do quinto dia mostraram porque continuam a ocupar um lugar particular na história da música: conseguiram fazer com que duas linguagens aparentemente diferentes — rap e metal — falassem exatamente a mesma língua.
Uma língua feita de atitude, protesto e distorção.
Os Body Count terminaram a sua passagem por Vilar de Mouros deixando o palco carregado de energia.
Mas a noite ainda não tinha terminado.
Depois deles, caberia aos Skindred assumir o último concerto e conduzir o festival até à despedida final.
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🖋 Diana Silva
📸 Paulo Homem de Melo


