Num festival construído sobre a velocidade — de palcos, de multidões, de estímulos que se sucedem sem descanso — os Big Thief fizeram algo quase radical: obrigaram-nos a abrandar.
A banda nova-iorquina regressou ao Primavera Sound Porto como uma das propostas mais respeitadas da música independente contemporânea, trazendo consigo um repertório que, ao longo da última década, transformou a intimidade numa linguagem universal. E foi precisamente essa capacidade de encontrar grandeza nos detalhes mais pequenos que definiu o concerto.
Os Big Thief confiaram apenas naquilo que sempre os distinguiu: canções extraordinariamente humanas.
Desde os primeiros acordes, tornou-se evidente que a atuação se desenrolaria longe das fórmulas habituais dos festivais. Enquanto muitos artistas procuram conquistar o público através da intensidade, a banda liderada por Adrianne Lenker escolheu aproximar-se dele através da vulnerabilidade.
Cada música parecia surgir sem artifício, como se estivesse a ser descoberta naquele preciso momento. As guitarras moviam-se entre a delicadeza e a dissonância e a voz de Lenker continuava a possuir aquela rara qualidade de soar simultaneamente frágil e inabalável.
Quando o concerto chegou ao fim, não ficou a sensação de ter assistido a um espetáculo monumental. A sensação de ter partilhado tempo com um conjunto de canções que ainda respiram.
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🖋 Diana Silva
📸 Paulo Homem de Melo


