No primeiro dia do Primavera Sound Porto 2026, Rusowsky surgiu como uma espécie de anomalia no meio do festival, porque parecia existir numa frequência diferente da de tudo o resto. Enquanto muitos concertos procuram afirmar uma identidade clara, Rusowsky constrói precisamente a partir da indefinição.
E talvez por isso a expectativa fosse tão grande. Depois de anos a consolidar uma das propostas mais singulares da nova música espanhola, o artista chegou finalmente a Portugal para aquele que marcou o seu primeiro concerto em território nacional. Uma estreia aguardada por muitos dos seguidores portugueses que, até agora, acompanhavam a sua trajetória apenas através dos lançamentos discográficos, das redes sociais e dos relatos de atuações além-fronteiras.
A estreia acabou por confirmar aquilo que o seu percurso já deixava adivinhar: Rusowsky é um artista difícil de enquadrar, mas impossível de ignorar.
Durante a última década, a música pop habituou-nos a classificações rápidas. Alternativa, urbana, eletrónica, experimental. Rusowsky continua a mover-se entre todas elas sem se fixar em nenhuma. As suas canções funcionam como fragmentos de universos distintos que, em teoria, não deveriam coexistir. No entanto, encontram sempre uma forma improvável de se encaixar.
Ao vivo, essa sensação torna-se ainda mais evidente.
__________________________________________________________________________________________________________________________
🖋 Diana Silva
📸 Paulo Homem de Melo


