O terceiro dia do Vodafone Paredes de Coura 2026 encontrou em Benjamin Clementine um daqueles artistas que não precisam de muito para transformar um palco inteiro. Bastou a sua presença, a voz e uma forma absolutamente singular de interpretar cada canção para criar um dos momentos mais intensos da jornada.
Clementine nunca parece simplesmente cantar. Cada palavra é acompanhada por um gesto, cada silêncio parece ter significado e cada mudança na voz altera a atmosfera do espaço. Em Coura, essa dimensão teatral ganhou uma força particular, fazendo com que o concerto fosse muito mais do que uma sucessão de músicas.
O artista britânico construiu a atuação entre a fragilidade e a imponência. Havia momentos de enorme delicadeza, quase sussurrados, seguidos por interpretações de uma intensidade capaz de atravessar todo o recinto. A sua voz funcionou como instrumento e personagem ao mesmo tempo.
A relação com o piano voltou a ser fundamental. As notas serviram de ponto de partida para interpretações que cresceram progressivamente, enquanto Clementine se movimentava pelo palco como se estivesse a representar pequenas histórias. Havia algo de profundamente pessoal em cada gesto.
Mas aquilo que tornou o concerto particularmente marcante foi a sensação de vulnerabilidade. Benjamin Clementine não procurou esconder as emoções por detrás de uma personagem. Pelo contrário, colocou-as no centro e deixou que o público as recebesse sem filtros.
Em Paredes de Coura, essa entrega encontrou uma plateia completamente disponível. Durante alguns momentos, parecia que o festival tinha desaparecido e que existia apenas aquele diálogo entre artista, piano e público.
O terceiro dia continuava a avançar, mas Benjamin Clementine deixou uma marca difícil de ignorar.
Um concerto intenso, teatral e profundamente humano.
Daqueles que não terminam quando a última nota desaparece.
Ficam.
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🖋 Diana Silva
📸 Paulo Homem de Melo


