Bloc Party fizeram Coura voltar aos anos 2000 sem ficar presos ao passado

O terceiro dia do Vodafone Paredes de Coura 2026 ganhou uma nova descarga de energia quando Bloc Party chegaram ao palco. Depois da intensidade emocional de Benjamin Clementine, o festival mudou novamente de pele e entrou num território feito de guitarras afiadas, ritmos nervosos e refrões que continuam a reconhecer-se à primeira nota.

A banda britânica trouxe consigo uma história que atravessa várias gerações, mas o concerto esteve longe de funcionar como uma simples viagem nostálgica. Pelo contrário: Bloc Party apresentaram-se em Coura com a força de uma banda que continua a olhar para a frente, usando aquilo que construiu ao longo dos anos como matéria-prima para um espetáculo vivo.

Desde o início, as guitarras deram o sinal. A bateria empurrou os temas para a frente e a voz de Kele Okereke manteve-se no centro de uma atuação onde a intensidade nunca pareceu perder força.

Havia uma espécie de reencontro no ar. Para muitos, aquelas músicas fazem parte de uma memória musical construída há quase duas décadas. Mas, em Coura, não soaram como peças guardadas no passado. Soaram presentes, urgentes e suficientemente fortes para continuar a provocar a mesma reação.

Bloc Party sempre souberam trabalhar nessa fronteira entre indie rock, pós-punk e eletrónica, e ao vivo essa mistura ganhou uma dimensão particularmente física. Os momentos mais melódicos rapidamente davam lugar a explosões de guitarras e bateria, mantendo o público permanentemente ligado.

A banda também mostrou que não precisa de depender exclusivamente dos grandes êxitos para prender uma plateia. A atuação foi construída como um todo, alternando diferentes fases da carreira e permitindo que as canções mais recentes coexistissem naturalmente com aquelas que já pertencem ao imaginário coletivo.

Coura lembrou-se de que algumas canções podem envelhecer sem perder a capacidade de nos fazer sentir exatamente como na primeira vez.

Bloc Party provaram que revisitar o passado não significa ficar preso a ele, ás vezes, basta ligar novamente os amplificadores e deixar as guitarras fazerem o resto.

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🖋 Diana Silva

📸 Paulo Homem de Melo

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