Beatriz Pessoa teve a responsabilidade de abrir o segundo dia do Indie Music Fest 2026. A artista trouxe consigo uma sonoridade onde o pop encontra o jazz e onde a influência da música brasileira acrescenta novas cores a uma escrita espontânea, cativante e ligeiramente excêntrica.
Existe na música de Beatriz Pessoa uma liberdade que nasce precisamente da mistura. A sua formação académica em jazz serve de base a uma linguagem que não se fecha nesse universo, permitindo-lhe aproximar-se do pop e incorporar referências da Bossa Nova e da MPB, criando um território musical simultaneamente sofisticado e acessível.
O percurso começou a ganhar atenção quando tinha apenas 20 anos, com o lançamento de “Insects”, o seu primeiro EP. A este trabalho seguiu-se “II”, confirmando uma artista interessada em explorar diferentes formas de composição e em encontrar uma voz própria dentro da nova música portuguesa.
Em 2020, chegou “Primaveras”, o primeiro álbum de longa duração. O disco aprofundou a ligação transatlântica de Beatriz Pessoa ao Brasil, deixando que ritmos, melodias e influências brasileiras ocupassem um lugar central numa identidade que continuava a crescer.
Essa relação com o Brasil não surge apenas como referência estética. É uma presença que atravessa a própria forma como Beatriz Pessoa entende a canção, criando pontes entre diferentes tradições e sensibilidades sem perder a espontaneidade que caracteriza a sua escrita.
Abrir um dia de festival significa também estabelecer o primeiro ambiente para tudo aquilo que vem depois. Beatriz Pessoa fez precisamente isso: apresentou um universo onde a delicadeza pode conviver com a excentricidade e onde o rigor musical não impede a liberdade de experimentar.
O segundo dia do Indie Music Fest 2026 começou assim com uma proposta que prefere os cruzamentos às fronteiras.
Beatriz Pessoa abriu a tarde entre o pop, o jazz e a música brasileira.
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🖋 Diana Silva
📸 Paulo Homem de Melo


