Fischer-Z levaram a memória da New Wave ao Coliseu dos Recreios

O Coliseu dos Recreios recebeu, na passada sexta-feira, 4 de setembro, uma das bandas que ajudaram a definir uma parte importante da música britânica das últimas décadas. Fischer-Z regressaram a Lisboa para reencontrar um público disposto a viajar no tempo sem ficar preso ao passado, numa noite onde a New Wave se cruzou com o rock e com uma escrita que continua a encontrar eco no presente.

Fundados em 1976 por John Watts, os Fischer-Z construíram ao longo dos anos uma identidade muito própria. As melodias facilmente reconhecíveis nunca estiveram separadas das palavras, e foi precisamente nessa combinação entre canções cativantes e uma visão crítica sobre a sociedade que a banda encontrou uma das suas maiores forças.

No Coliseu, essa história ganhou uma nova dimensão. Havia a memória de uma banda que se tornou referência no final dos anos 70 e durante os anos 80, mas também a consciência de que muitas das inquietações presentes na sua música continuam surpreendentemente atuais.

A sonoridade dos Fischer-Z continua a viver desse equilíbrio entre energia e reflexão. As guitarras, os ritmos e as melodias recuperaram a linguagem característica da banda, enquanto as letras mantiveram aquele olhar atento sobre as transformações do mundo e sobre as contradições da sociedade.

E foi precisamente aí que a noite se tornou mais interessante. Porque ouvir Fischer-Z em 2026 não significa apenas regressar a uma determinada época. Significa perceber como determinadas canções conseguem sobreviver às décadas porque as perguntas que lhes deram origem continuam sem respostas definitivas.

No Coliseu dos Recreios, passado e presente encontraram-se sem esforço. O público reconheceu uma banda com quase cinco décadas de história, mas também recebeu um projeto que continua a encontrar razões para subir ao palco e para transformar inquietações em música.

A noite terminou com a sensação de que algumas bandas não pertencem verdadeiramente a uma época.

Pertencem às pessoas que as ouviram, às gerações que as descobriram depois e às perguntas que continuam a fazer sentido.

Em Lisboa, os Fischer-Z provaram precisamente isso.

A New Wave pode ter nascido há décadas.

Mas certas palavras continuam a chegar a tempo.

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🖋 Fernanda Oliveira

📸 Arlindo Homem

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