O MEO Kalorama 2026 ganhou uma dimensão completamente diferente com Anna von Hausswolff. A cantora, compositora e organista sueca trouxe ao festival um universo onde a música se transforma em ambiente, tensão e emoção, conduzindo o público por uma experiência tão intensa quanto hipnótica.
Conhecida pela abordagem vanguardista que cruza neoclassical darkwave, drone e rock experimental, Anna von Hausswolff construiu em palco uma atmosfera profundamente cinematográfica. Não se tratou apenas de apresentar canções, mas de criar um espaço sonoro onde cada elemento parecia ter uma função.
E no centro desse universo esteve o órgão.
O instrumento, presença fundamental na identidade artística da sueca, ganhou uma dimensão quase monumental. As suas notas prolongadas criaram paisagens densas e etéreas, alternando entre a delicadeza e uma força que parecia preencher todo o recinto.
A voz de Anna von Hausswolff acompanhou essa viagem com uma intensidade muito própria. Por vezes delicada, outras vezes poderosa e quase espectral, tornou-se mais um instrumento dentro da composição, surgindo entre camadas de som que cresciam lentamente até atingir momentos de enorme impacto.
Havia algo de gótico, algo de espiritual e algo profundamente contemporâneo naquele palco.
Anna von Hausswolff mostrou precisamente porque ocupa um lugar tão singular na música alternativa europeia. A sua proposta não procura respostas fáceis nem estruturas previsíveis. Prefere explorar ambientes, emoções e contrastes, levando o público para territórios onde o rock pode ser simultaneamente pesado e etéreo.
No primeiro dia do MEO Kalorama, essa viagem encontrou o seu espaço perfeito.
Depois da delicadeza do Folk Bitch Trio, Anna von Hausswolff trouxe uma mudança radical de atmosfera, fazendo o festival passar da intimidade folk para uma paisagem sonora muito mais sombria e monumental.
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🖋 Diana Silva
📸 Paulo Homem de Melo


