O MEO Kalorama 2026 começou com Folk Bitch Trio, responsáveis por abrir o primeiro dia do festival num registo sereno e intimista. O trio australiano de Melbourne trouxe ao palco uma abordagem delicada ao indie folk, criando desde os primeiros momentos um ambiente de proximidade com o público.
Formado por Gracie Sinclair, Jeanie Pilkington e Heide Peverelle, o Folk Bitch Trio encontrou nas harmonias a três vozes o centro da sua identidade. As vozes cruzaram-se com naturalidade, criando uma sonoridade envolvente que não precisou de grandes excessos para prender a atenção de quem começava a chegar ao recinto.
E foi precisamente essa tranquilidade que marcou o primeiro momento musical desta edição do MEO Kalorama.
A música das Folk Bitch Trio parte da tradição folk, mas não fica presa a ela. As estruturas clássicas encontram uma escrita contemporânea, confessional e por vezes marcada por um humor subtilmente sombrio, criando um universo onde a delicadeza convive com uma certa inquietação.
Em palco, essa dualidade tornou-se evidente.
As três artistas construíram um ambiente íntimo através das suas vozes e interpretações, permitindo que cada canção ocupasse o seu próprio espaço. Não havia pressa em chegar ao momento seguinte. Cada passagem parecia convidar o público a simplesmente ficar e ouvir.
Para um festival que ainda estava a começar, foi uma escolha particularmente feliz.
A ligação entre as três vozes revelou-se a verdadeira protagonista.
E foram três vozes australianas a dar o primeiro passo.
Calmas, próximas e suficientemente fortes para deixar uma primeira impressão.
🖋 Diana Silva
📸 Paulo Homem de Melo


