Quando falamos de internacionalização da cultura portuguesa, pensamos muitas vezes em festivais, showcases, agentes e mercados profissionais. E tudo isso é importante. Mas há uma outra dimensão da internacionalização que, muitas vezes, é esquecida: a diáspora portuguesa.
As comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo não são apenas espaços de memória ou tradição. São também espaços vivos de encontro, descoberta e circulação cultural. Lugares onde a música portuguesa pode crescer, ganhar novos públicos e criar relações duradouras.
Ao longo dos anos, trabalhando entre os Açores, o Canadá e os Estados Unidos, fui percebendo que existe um enorme potencial por explorar nessa ligação entre artistas portugueses e comunidades emigrantes. Não apenas numa lógica nostálgica ou folclórica, mas como oportunidade de apresentar o Portugal contemporâneo: criativo, diverso, inovador e artisticamente relevante.
Hoje, há uma nova geração de artistas portugueses que dialoga naturalmente com o mundo. Projetos que cruzam tradição e modernidade, eletrónica e raízes, experimentalismo e identidade local. E esses artistas precisam de contextos internacionais onde possam ser vistos e compreendidos. A diáspora pode ser uma dessas portas de entrada.
Os Açores, pela sua posição atlântica e pela sua própria história migratória, sempre funcionaram como ponto de ligação entre geografias. Essa ideia de ponte é algo que continua muito presente no trabalho cultural desenvolvido a partir das ilhas. Criar eventos, receber artistas internacionais e promover artistas portugueses além-fronteiras é, acima de tudo, criar relações humanas e culturais entre territórios.
A internacionalização não acontece apenas quando um artista toca num festival estrangeiro. Acontece também quando se cria continuidade, quando existem redes de apoio, quando públicos internacionais começam a acompanhar o percurso de um projeto artístico português ao longo do tempo. E é aí que a diáspora pode desempenhar um papel importante: como comunidade, mas também como infraestrutura cultural informal.
Nesse caminho, estruturas como a WHY Portugal têm sido fundamentais. Porque ajudam a criar contexto, aproximam profissionais, promovem encontros e dão visibilidade à música portuguesa em espaços internacionais onde, durante muito tempo, Portugal esteve ausente.
Acredito que o futuro da internacionalização da cultura portuguesa passa precisamente por esta combinação: artistas fortes, redes internacionais, estruturas organizadas e uma diáspora ativa e envolvida.
Porque a cultura portuguesa não termina nas fronteiras do país. Continua viva em cada comunidade, em cada palco e em cada relação criada além-mar.
__________________________________________________________________________________________________________________________
🖋 Terry Costa


