Em “Nome próprio”… Ana Bacalhau na Casa da Música – Glam Magazine

Em “Nome próprio”… Ana Bacalhau na Casa da Música

Ana Bacalhau encerrou o mês de Janeiro com a apresentação de “Nome Próprio” na Casa da Música no Porto. Depois de 10 anos a comandar os Deolinda, as expectativas em assistir a um concerto em “nome próprio” de Ana Bacalhau eram grandes, sobretudo pela dinâmica musical encontrada no disco de estreia, lançado em 2017.

Com uma energia contagiante, Ana entra em palco ao som de “Vida Nova”, tema escrito por Nuno Figueiredo. “Vida Nova” era a escolha perfeita para o inicio do espectáculo onde as palavras faziam a abertura apropriada do concerto… “Vida nova é aquilo que mais quero…”
Segue-se a “Menina Rabina”, com letra de Ana Bacalhau e musica de Janeiro, Ana Bacalhau não esconde do público a sua timidez. “Menina Rabina”, um retrato da Ana escrito pela própria Ana. E como agora canta em “Nome próprio”, “Passo a tratar-me por tu”, diz em jeito de introdução à canção escrita por Nuno Prata.

Ana Bacalhau sempre gostou de cantar aquilo que lhe apetecia, acontecia isso nos Deolinda e em “Nome próprio” a liberdade é ainda maior. Essa liberdade de dizer e cantar o que lhe vai na alma está patente ao longo do disco e ao longo do concerto foi uma constante. As introduções às canções espelhavam isso mesmo.
Leve como uma pena”, um dos singles de apresentação do disco, um tema rebelde escrito por Jorge Cruz, propicia a primeira grande ovação por parte do público, que de uma forma gradual vai entrando no espírito desta nova Ana Bacalhau

Recupera “Navegar, Navegar” de Fausto que serve de introdução ao tema que Capicua lhe escreveu para o disco, intitulado “A Bacalhau”. Descreve a forma como a canção foi pensada comparando o hip hop à musica tradicional Portuguesa. “Estrela da tarde” e o clássico de António VariaçõesEstou Além”, foram mais duas canções recuperadas, permitido alguns trocadilhos como “Variações com Bacalhau” ou “Bacalhau com Variações”. Praticamente a fechar o concerto recupera igualmente um clássico dos Trovante, “Xacara das Bruxas Dançantes”, empolgando o ambiente com a sua versão muito própria. Antes do encore, chega a vez do “Ciúme”, tema escrito por Miguel Araújo, que serviu de estreia da carreira a solo de Ana Bacalhau.

Regressa para o encore e traz uma surpresa, principalmente para os mais ‘velhos’ na sala. “De volta para o meu aconchego”, canção de Elba Ramalho da Novela “Roque Santeiro” traz ao palco Ana Bacalhau praticamente a solo. A canção surge no alinhamento através das memorias pessoais pois era um tema que costumava cantar à filha quando era pequena.

No final, e acompanhada já dos seus músicos, apelidados de “pataniscas” volta a “Nome próprio” com mais uma canção escrita por Nuno Figueiredo para encerrar em grande o concerto com “Morreu Romeu.

Com uma dinâmica impar, conseguiu transmitir energia e acima de tudo as suas próprias histórias patente nas letras das canções de “Nome próprio”.

 

Alinhamento

– Vida Nova

– Menina Rabina

– Passo a tratar-me por tu

– Só Eu

– Leve como uma pena

– Debaixo da Mosca

– Maria Jorge

– Dama da Noite

– Respirar

– Navegar, Navegar

– A Bacalhau

– Deixo-me Ir

– Para Fora

– Estrela da Tarde

– Estou Além

– Xácara das Bruxas Dançantes

– Ciúme

Encore:

– De volta para o meu aconchego

– Morreu Romeu

 

Reportagem e fotografias: Paulo Homem de Melo

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