O terceiro e último dia do MEO Kalorama 2026 começou com Wednesday, banda norte-americana originária de Asheville, na Carolina do Norte, que levou ao palco uma das combinações mais singulares do rock alternativo contemporâneo.
Liderado por Karly Hartzman, o grupo construiu uma atuação onde shoegaze, noise rock e country alternativo encontraram um ponto de equilíbrio pouco previsível. As guitarras surgiam carregadas de distorção, enquanto a voz de Hartzman acrescentava uma dimensão emocional às canções, criando um contraste entre fragilidade e intensidade.
A banda consegue transformar melodias aparentemente delicadas em momentos de enorme força sonora. As guitarras crescem, o ruído ocupa espaço e a secção rítmica mantém tudo em movimento, enquanto elementos como a pedal steel acrescentam uma textura inesperada ao conjunto.
Não havia uma separação clara entre momentos de maior contenção e explosões sonoras. As canções pareciam crescer naturalmente, acumulando camadas até atingirem pontos de intensidade que encontravam resposta imediata no público.
A voz de Karly Hartzman funcionou como o fio condutor de toda a experiência. Entre a delicadeza e a aspereza, conduziu as canções por histórias marcadas por emoções, inquietações e uma visão muito própria do quotidiano.
Ao seu lado, os restantes elementos dos Wednesday deram corpo a esse universo. A guitarra, o baixo, a bateria e os sons de pedal steel criaram uma paisagem sonora onde o rock podia assumir diferentes formas dentro da mesma atuação.
A própria banda encontrou uma designação para esse território: “Wednesday Creek Rock”.
Mais do que uma etiqueta, a expressão ajuda a perceber a liberdade com que o grupo mistura referências sem se deixar prender por nenhuma delas.
O último dia começou com guitarras distorcidas, melodias melancólicas e uma energia que recusou a ideia de um começo tímido.
Wednesday deram o primeiro passo.
E fizeram-no deixando claro que o terceiro e último dia ainda tinha muito para dizer.
🖋 Diana Silva
📸 Arlindo Homem


