Peaches levou a provocação e a liberdade ao último dia do MEO Kalorama 2026

O terceiro e último dia do MEO Kalorama 2026 ganhou uma das atuações mais provocadoras do festival. Peaches subiu ao palco com a irreverência que há mais de duas décadas transformou o seu nome numa referência incontornável do electro-clash e do electro-rock.

Nascida no Canadá, a artista construiu uma carreira que nunca conheceu fronteiras rígidas entre música, performance, cinema e artes visuais. Em palco, essa liberdade voltou a estar no centro de tudo.

Peaches não apresenta simplesmente um concerto.

Cria uma experiência.

As batidas eletrónicas cruas deram o impulso necessário para uma atuação física, intensa e deliberadamente provocadora, enquanto a sua presença em palco reafirmou uma identidade artística construída contra convenções e expectativas.

Grande parte dessa linguagem nasceu com “The Teaches of Peaches”, álbum lançado em 2000 e que continua a ser uma referência fundamental para compreender o universo da artista. Sexualidade, liberdade e desconstrução das normas de género surgem não como elementos acessórios, mas como parte integrante da sua expressão artística.

No MEO Kalorama, essa atitude manteve-se intacta.

Peaches ocupou o palco sem pedir licença, transformando cada momento numa afirmação de liberdade. A música serviu de base para uma performance onde o corpo, a imagem e a atitude tinham exatamente o mesmo peso que o som.

Peaches trouxe uma mudança radical de linguagem.

Saiu o rock alternativo.

Entrou a eletrónica.

E, com ela, uma artista que fez da provocação uma forma de arte.

No começo da noite Peaches lembrou que a música também pode ser confronto, liberdade e espetáculo.

E que, passadas mais de duas décadas, poucas artistas continuam a ocupar esse território com a mesma irreverência.

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🖋 Diana Silva

📸 Arlindo Homem

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