O termo adolescência é usado com vários significados em contextos diversos: Adolescência é um fenômenos de forte caracterização cultural e sua definição está intimamente ligada à transformação da compreensão do desenvolvimento humano e também à transformação da forma como cada geração adulta se define a si própria…
A definição está na wikipedia mas aplica-se na perfeição na noite vivida esta segunda feira 16 de dezembro na Casa da Música.
Os Nouvelle Vague, prestes a terminar a digressão pelo nosso país transformaram a clássica sala Suggia da Casa da Música no Porto num espaço onde as memórias sonoras envolveram uma plateia esgotada, de forma introspetiva, recuando até à adolescência de cada um.
Surgidos no inicio do século XXI, os Nouvelle Vague souberam como ninguém recuperar a banda sonora dos jovens adolescentes dos finais do anos 70 e inicio dos anos 80 do século XX.
Encontrando refugio em canções que navegam entre a new age pura dos Yazoo até ao pós punk industrial dos Bauhaus ou Dead Kennedys, o coletivo formado em 2003 por Marc Collin e Olivier Libaux, e apoiado em palco nas vozes de Camille Dalmais e Mélanie Pain, sabe como ninguém transformar canções em memórias do passado.
Fugindo da banalização das bandas de covers, cada tema que apresentam em palco, desde o envolvente “Love Will Tear Us Apart” na voz doce de Mélanie Pain, logo a abrir ao concerto, até ao espiritual “In a Manner of Speaking” a fechar o encore, o público é brindado por uma escolha musical natural e trabalhada sonoramente até ao detalhe mais luminoso de cada tema apresentado.
A bossa nova e até o reggae complementam uma sonoridade que recorre até às influencias de James Bond no tema “She’s in Parties”, um original dos Bauhaus, passando pela tonalidade jazzística recordando o tema “fever” mas aplicado à versão do clássico dos Duran Duran “Girls on Film”.
A celebrar 20 anos de carreira, a banda recuperou em palco os temas que construíram a sua jornada ao longo de duas décadas. Trouxeram à Casa da Música os mais recentes “Should I Stay or Should I Go” ou já no encore a obra prima dos The Smiths “This Charming Man”, claro sem esquecer o já icónico tema da banda “Too Drunk to Fuck”, um original dos Dead Kennedys e onde a agressividade da voz de Camille Dalmais desafia a melancolia sonora de Mélanie Pain; ou os sempre presentes “People are People” e “Just Can’t Get Enough” dos Depeche Mode.
Para sempre adolescentes, “Teenage Kicks” destacou-se como um hino a uma adolescência que ficou para trás, mas que deve ser sempre recuperada, nem que para isso tenhamos que descalçar os sapatos e dançar…. Dançar… ao som dos Nouvelle Vague
E que venham mais 20 anos de Nouvelle Vague
? Sandra Pinho
? Paulo Homem de Melo


