O Centro Cultural Vila Flor celebra o seu 21º aniversário no próximo dia 17 de setembro. Esta casa vimaranense, lugar de chegada, passagem e encontro, descoberta e celebração, habitado por profissionais, artistas, públicos, linguagens e geografias distintas há mais de duas décadas, apresenta neste mesmo dia, às 21h30, no Grande Auditório, o espetáculo “Vagabundus“, uma peça na qual 13 intérpretes dançam e cantam constantemente um repertório musical moçambicano, tradicional e contemporâneo, baseado em motivos de gospel e do barroco.
A migração é tão antiga quanto o mundo, mas ela é totalmente compreendida?
Nesta obra, o coreógrafo moçambicano Ídio Chichava mostra a migração através do prisma do corpo. Muitas vezes considerada voluntária ou forçada, esta é uma vaga invisível, um fluxo humano. O migrante é o nómada de hoje, o colonizador, o descobridor, mas também o vagabundo. Para construir a coreografia, o autor inspira-se no ritual de dança do povo Makonde, em Moçambique, que apoia a expressão de um corpo global através da fusão da dança e do canto.
Segundo Chichava, apenas o corpo que dança e canta em simultâneo se pode exprimir plenamente e existir em sinergia com os outros. O coreógrafo considera este corpo global como uma condição humana natural esquecida. O impacto explosivo da dança e das vozes não precisa de cenários, figurinos elaborados ou efeitos de luz para tocar o público.
Para o coreógrafo, as dimensões emocionais da dança são o mais importante. Por isso, durante o espetáculo e em ressonância com o fenómeno da migração, o movimento do público é livre. “Vagabundus” é uma performance aberta, na qual não existe um início ou um fim precisos.
O criador Idio Chichava é bailarino, coreógrafo e diretor artístico da Companhia de Dança Converge+, de Moçambique. Após uma carreira de sucesso em França, regressou ao seu país natal e começou a trabalhar ativamente na promoção do intercâmbio criativo, na educação gratuita de dança para as comunidades locais e na apresentação de espetáculos em espaços públicos. O seu foco inclui produções multidisciplinares e colaborações criativas, para que todos tenham um espaço para explorar o seu mundo interior e coexistir com os outros.
Interpretada por Açucena Chemane, Arminda Teimizira, Calton Muholove, Cristina Matola, Fernando Machaieie, Judite Novela, Mauro Sigauque, Martins Tuvanji, Nilégio Cossa, Osvaldo Passirivo, Patrick Manuel Sitoe, Stela Matsombe e Vasco Sitoe, esta peça da Companhia Converge+ foi concebida e coreografada por Ídio Chichava, contando com assistência e direção de ensaios de Osvaldo Passirivo.
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🖋 Redação / press release
📸 Mariano Silva


