A antiga Escola de Gumarães volta a abrir as portas para a segunda edição do GumaJazz, agora enquanto Festival de Jazz e Artes, nos dias 12 e 13 de setembro. Organizado pela Associação 140, o festival regressa ao lugar onde nasceu com uma programação que cruza música, artes, criação e comunidade, transformando durante dois dias um espaço marcado pela memória num lugar de encontro, participação e experimentação.
Depois da primeira edição, em 2025, o GumaJazz regressa com uma proposta mais brangente, sem perder a relação com o jazz e com a improvisação que estão na sua origem. Este ano, a música passa a conviver de forma ainda mais assumida com outras formas de criação artística e com um trabalho desenvolvido diretamente com a comunidade de Gumarães.
A antiga escola é, mais uma vez, o centro do festival. Um espaço que durante anos foi lugar de aprendizagem e partilha e que agora volta a cumprir, de outra forma, essa mesma função. Durante o GumaJazz, a escola volta a ser um espaço onde se aprende, se experimenta, se cria e se partilha.
O GumaJazz parte de um lugar muito concreto: Gumarães, em Penafiel. A relação com o território não é apenas uma questão de localização. A antiga escola, as casas, os caminhos e os elementos que fazem parte da paisagem local são parte da identidade do festival e da forma como a Associação 140 pensa este projeto.
É também a partir desse território que nasce a identidade visual desta edição, desenvolvida pelo artista local Francisco Fonseca, que transformou elementos da paisagem e do património de Gumarães numa linguagem visual própria para o festival.
A escolha não é meramente estética. É uma forma de trazer para o centro aquilo que muitas vezes passa despercebido e de afirmar o lugar como parte integrante da identidade do GumaJazz. Esta relação entre território, criação e comunidade atravessa toda a edição de 2026.
Uma das principais novidades desta edição é a Residência Gumarães, um projeto de criação artística e comunitária conduzido pelo músico, performer e mediador artístico Artur Carvalho. Com uma experiência de vários anos no desenvolvimento de projetos musicais e artísticos com comunidades, incluindo o trabalho realizado no Serviço Educativo da Casa da Música e em diferentes projetos de mediação e inclusão através da música, Artur Carvalho propõe uma residência onde a criação nasce do encontro entre pessoas, sons, experiências e território.
A residência recupera, assim, uma das funções mais fortes da antiga escola: ser um lugar de aprendizagem e troca. Mas aqui não existe uma separação rígida entre quem ensina e quem aprende. A proposta passa por criar em conjunto, experimentar, ouvir e descobrir o que pode nascer quando a comunidade participa no processo artístico, cruzando diferentes linguagens e formas de expressão.
O trabalho desenvolvido ao longo da residência culmina numa apresentação pública no dia 12 de setembro, às 19h, integrada na programação do GumaJazz. A residência reforça, assim, uma das ideias fundamentais do festival: a cultura pode ser feita para a comunidade, mas também pode ser feita com a comunidade.
Ao longo dos dois dias, o GumaJazz apresenta uma programação musical que atravessa diferentes linguagens do jazz contemporâneo e da música improvisada e da criação artística. Entre os nomes desta edição encontram-se Duarte Ventura Quinteto, projeto liderado pelo vibrafonista Duarte Ventura e distinguido com o Prémio Jovens Músicos, que apresenta a sua linguagem contemporânea e o trabalho desenvolvido no álbum “Blurred Image”.
O programa conta também com Themandus, trio do Porto que cruza jazz, electrónica e diferentes linguagens, explorando a improvisação e a experimentação sonora; e Yudit Almeida, contrabaixista e compositora cubana formada em jazz pela ESMAE, que chega a Gumarães acompanhada por Ricardo Moreira, ao piano, e João Ribeiro, na bateria, para uma proposta com espaço também para o Lindy Hop.
A programação inclui ainda Tota + Ricardo Coelho, com “Reencantos de Trabalho”, projeto que parte das canções de trabalho e procura “reencantar” a relação com o trabalho através da música; Clara Lacerda, Catarino – Kualan, Frederica Campos + Inês Gouveia, entre outras propostas.
A segunda edição reforça também a abertura do festival à criação emergente e a novos talentos, com a participação do Combo Azevinhos, escola de música de Penafiel, trazendo para o programa o trabalho de jovens músicos e valorizando os processos de aprendizagem e criação artística que acontecem no próprio território.
Este ano, o GumaJazz conta ainda com uma parceria com o Ponto C — Cultura e Criatividade, que sai fora de portas e se associa ao festival através de uma proposta de curadoria artística. Desta colaboração nasce a presença da Eugénia Contente Trio, reforçando a diversidade e a dimensão artística da programação e criando uma ponte entre diferentes agentes culturais do território.
A música prolonga-se para além do formato tradicional de concerto, com DJ sets, Lindy Hop e uma jam session, criando espaço para que o público não seja apenas espectador, mas possa também permanecer, participar e relacionar-se com o espaço e com quem o ocupa.
A programação inclui ainda propostas concebidas especificamente para o festival através de encomendas artísticas, desafiando músicos e criadores a desenvolver trabalhos pensados para este contexto e permitindo ao GumaJazz assumir-se também como espaço de experimentação e criação.
Para além da programação musical, o GumaJazz inclui feira de artes e artesanato, workshops, comes e bebes e outras atividades que ocupam a antiga escola e o espaço envolvente. A ideia é que o festival não seja vivido apenas nos momentos em que há música no palco. O espaço é pensado para ficar, conversar, descobrir, comer, ouvir e encontrar outras pessoas.
É essa dimensão que faz do GumaJazz mais do que um conjunto de concertos. É um festival construído à volta de um lugar e das relações que esse lugar pode voltar a criar.
A segunda edição do GumaJazz acontece nos dias 12 e 13 de setembro, em Gumarães, Penafiel, com entrada gratuita.
12 setembro – sábado
15h00 — Combo Azevinhos
16h15 — Tota + Ricardo Coelho
17h30 — Clara Lacerda Solo
19h00 — Duarte Ventura Quinteto
21h00 — Lindy Hop: Yudit Almeida Trio
22h45 — Jam Session
13 setembro – domingo
15h00 — Combo Azevinhos
16h15 — Tota + Ricardo Coelho
17h30 — Clara Lacerda Solo
19h00 — Duarte Ventura Quinteto
21h00 — Lindy Hop: Yudit Almeida Trio
22h45 — Jam Session
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🖋 Redação / press release
📸 Lourenço Carvalho


