O terceiro e último dia do MEO Kalorama 2026 atingiu uma nova velocidade com Turnstile. A banda norte-americana chegou ao palco para provar que o hardcore punk pode ser tão físico quanto melódico, tão agressivo quanto dançável, e que as fronteiras do género existem sobretudo para serem ultrapassadas.
Desde os primeiros acordes, a intensidade tomou conta do recinto.
A guitarra, o baixo e a bateria avançaram com uma força quase impossível de conter, enquanto Brendan Yates assumia o centro da atuação com uma presença de palco que rapidamente transformou a plateia num prolongamento da própria banda.
Mas os Turnstile nunca se limitaram ao hardcore tradicional.
Ao longo da carreira, o grupo de Baltimore foi incorporando grooves, melodias e influências de R&B e pop na sua linguagem, criando uma sonoridade que mantém a agressividade do punk sem abdicar da vontade de fazer o público mexer-se.
A bateria de Daniel Fang funcionou como motor dessa experiência, enquanto as guitarras de Pat McCrory e Meg Mills acrescentavam peso e textura. Franz Lyons, no baixo e vocais, completava uma formação construída para transformar cada música numa descarga de energia.
Os Turnstile conseguiram, assim, fazer aquilo que poucos projetos de hardcore alcançam.
Levar a intensidade do underground para um público muito mais amplo sem perder a identidade que os tornou relevantes.
Depois do hip-hop de Freddie Gibbs + The Alchemist, o MEO Kalorama voltou a virar tudo do avesso.
Durante a noite, entraram as guitarras.
E entrou também uma sensação de liberdade difícil de controlar.
O terceiro dia aproximava-se dos seus momentos finais, mas os Turnstile recusaram abrandar.
Pelo contrário.
Fizeram do MEO Kalorama um espaço de movimento, suor e pura adrenalina.
E mostraram que, quando o hardcore encontra o groove certo, não há ninguém parado.
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🖋 Diana Silva
📸 Arlindo Homem


