O primeiro dia do CA Vilar de Mouros 2026 ganhou uma nova velocidade quando The Molotovs subiram ao palco. Ainda no início da longa jornada de cinco dias, a banda londrina trouxe consigo uma energia jovem, crua e descaradamente rock’n’roll, fazendo crescer a intensidade do festival.
Formados em Londres em 2020, os The Molotovs nasceram da cumplicidade dos irmãos Mathew Cartlidge e Issey Cartlidge, aos quais se juntou posteriormente o baterista Will Fooks. Em palco, essa formação transforma-se numa máquina compacta, onde guitarras, baixo e bateria avançam com uma urgência difícil de ignorar.
Mathew assumiu a frente da atuação entre guitarra e voz, enquanto Issey acrescentou peso ao baixo e presença vocal. A bateria de Will Fooks completou o trio com uma energia que manteve o concerto permanentemente em movimento.
A sonoridade dos The Molotovs vive precisamente desse cruzamento entre referências. O punk clássico encontra a atitude da Mod revival do final dos anos 70 e cruza-se com a sensibilidade do Britpop, mas o resultado não soa a exercício de nostalgia. Há uma vontade evidente de pegar nessas influências e torná-las novamente relevantes.
E em Vilar de Mouros essa fórmula encontrou terreno fértil.
As guitarras chegaram afiadas, os ritmos mantiveram-se acelerados e a banda apresentou-se com a confiança de quem parece ter pressa de conquistar o seu próprio espaço. A juventude dos músicos contrastou com a segurança demonstrada em palco, tornando difícil esquecer que ainda estão no início de um percurso que promete ser longo.
O mais interessante foi perceber que os The Molotovs não precisaram de complicar a fórmula. Três músicos, instrumentos ligados e uma enorme vontade de tocar rock’n’roll. Às vezes, é precisamente aí que está a força.
__________________________________________________________________________________________________________________________
🖋 Diana Silva
📸 Paulo Homem de Melo


