Lambrini Girls fizeram do palco de Vilar de Mouros um manifesto punk

O primeiro dia do CA Vilar de Mouros 2026 ganhou uma nova dose de irreverência quando Lambrini Girls chegaram ao palco. Vindas de Brighton, as duas artistas britânicas trouxeram uma atuação que não quis ser apenas barulho: quis incomodar, questionar e transformar a energia punk numa forma de expressão política.

Phoebe Lunny, na voz e guitarra, e Lilly Macieira, no baixo, formam um duo que parece maior do que os dois elementos que o compõem. Em palco, não há espaço para contenção. As guitarras rasgam, o baixo empurra e a voz surge com uma urgência que transforma cada canção numa descarga de adrenalina.

Mas a força das Lambrini Girls não está apenas na música.

O punk é também mensagem.

A banda utiliza a sua linguagem direta para confrontar o privilégio patriarcal, os preconceitos de género, a transfobia e diferentes formas de abuso presentes na sociedade e na própria indústria musical. Não há intenção de suavizar o discurso para o tornar mais confortável. Pelo contrário: a provocação faz parte da identidade.

Em Vilar de Mouros, essa atitude encontrou um palco onde a música e a intervenção puderam caminhar lado a lado. A energia crua da atuação funcionou como combustível para uma mensagem que não precisava de grandes explicações.

Tudo estava à vista.

Tudo era dito sem rodeios.

E tudo era acompanhado por uma sonoridade que parecia estar permanentemente no limite.

As Lambrini Girls representam uma geração de artistas que não separa entretenimento de posicionamento. Para elas, uma guitarra também pode ser uma ferramenta de confronto e um concerto pode transformar-se num espaço para levantar questões que continuam demasiado presentes.

__________________________________________________________________________________________________________________________

🖋 Diana Silva

📸 Paulo Homem de Melo

Partilha