O regresso de Michelle Gurevich à Casa da Música na noite de quinta feira 19 de fevereiro foi exatamente isso: uma noite de intensidade contida, humor subtil e uma melancolia luxuosa que só ela sabe transformar em espetáculo.
A artista canadiana, de voz grave e presença hipnótica, ofereceu um concerto que mais parecia um encontro íntimo do que uma performance tradicional.
Gurevich entrou em palco sem dramatismos, como quem chega a um lugar familiar. A sua postura despretensiosa contrasta com o impacto imediato da sua voz — profunda, quente, quase cinematográfica. Bastaram os primeiros versos para que a sala mergulhasse num silêncio atento, daqueles que só surgem quando o público reconhece que está perante algo raro.
Ao vivo, Michelle Gurevich confirma o que os discos apenas insinuam: a sua voz é um instrumento de peso emocional. Grave, sedosa, com uma ironia subtil que percorre cada frase, ela canta como quem narra histórias de vidas inteiras.
Há nela uma mistura de cabaré moderno, chanson noir e pop minimalista que cria um universo próprio — sombrio, mas nunca pesado; melancólico, mas sempre sedutor.
O concerto terminou sem explosões, sem dramatismos, mas com a sensação de que algo tinha sido deslocado dentro de cada pessoa presente.
Michelle Gurevich não procura deslumbrar — procura tocar. E toca fundo
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🖋 Diana Silva
📸 Paulo Homem de Melo


