Melody’s Echo Chamber trouxe ao MEO Kalorama um universo entre o sonho e a psicadelia

O MEO Kalorama 2026 voltou a mudar de paisagem sonora com Melody’s Echo Chamber, o projeto da multi-instrumentista francesa Melody Prochet. Entre guitarras distorcidas, melodias nostálgicas e atmosferas etéreas, a artista construiu um concerto que parecia existir algures entre a memória e o sonho.

Desde o início, ficou evidente que a proposta de Melody’s Echo Chamber vive mais da atmosfera do que da pressa. As canções foram ganhando forma através de diferentes camadas sonoras, criando um ambiente envolvente onde o pop psicadélico e o dream pop se encontraram naturalmente.

Melody Prochet assumiu o centro desse universo.

Multi-instrumentista e compositora, a artista desenvolveu uma identidade própria ao longo de diferentes fases do projeto, combinando a tradição melódica da música francesa com uma abordagem mais experimental e psicadélica.

As guitarras distorcidas acrescentaram textura às canções, enquanto as melodias mantiveram uma delicadeza quase hipnótica. Havia momentos em que o som parecia flutuar e outros em que ganhava maior densidade, sem nunca perder a sensação de leveza.

A história de Melody’s Echo Chamber ganhou projeção internacional logo em 2012, quando o projeto chegou ao público através de uma sonoridade que cruzava psicadelismo, pop e rock de uma forma pouco convencional. A colaboração com Kevin Parker, dos Tame Impala, esteve ligada a essa primeira fase e ajudou a colocar Melody Prochet no radar de uma audiência global.

No MEO Kalorama, essa identidade encontrou um público disposto a deixar-se levar. Em vez de procurar uma explosão constante, Melody’s Echo Chamber construiu uma experiência gradual, feita de detalhes, texturas e pequenas mudanças de intensidade.

Depois do lado mais desconcertante de Angine de Poitrine, o festival encontrou novamente uma porta para o lado mais onírico da música.

O palco transformou-se num espaço onde as guitarras pareciam dissolver-se no ar e as melodias chegavam como recordações difíceis de agarrar.

Melody’s Echo Chamber não trouxe apenas psicadelia ao MEO Kalorama.

Trouxe um lugar para sonhar acordado.

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🖋 Diana Silva

📸 Paulo Homem de Melo

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