Máximo fez do piano um lugar para parar no Bons Sons 2026

No meio da energia que marcou o quarto e último dia do Bons Sons 2026, Máximo trouxe outra velocidade para Cem Soldos. O jovem pianista e compositor português trocou a agitação do festival por um concerto onde cada nota teve espaço para respirar, criando uma pausa inesperada dentro da última jornada.

A relação de Máximo com o piano começou cedo. Aos sete anos, entrou no Conservatório de Lisboa e, desde então, foi construindo um percurso que o levou da formação clássica ao universo do jazz, atualmente aprofundado na Codarts Rotterdam, nos Países Baixos. Essa mistura de referências esteve presente na forma como ocupou o palco: rigor técnico sem retirar liberdade à interpretação.

Sentado ao piano, Máximo não precisou de grandes movimentos para prender a atenção. As mãos assumiram o papel de protagonistas e foram desenhando paisagens sonoras que tanto podiam parecer íntimas como ganhar uma dimensão mais ampla. O silêncio entre as notas também fazia parte da música.

O percurso discográfico ajudou a definir esse universo. “Greatest Hits”, projeto de piano solo, revelou desde cedo uma capacidade de transformar composição e interpretação num mesmo gesto. Já “PANGEA”, lançado em 2024, levou essa linguagem para um território mais conceptual, abordando também inquietações relacionadas com a eco-ansiedade.

Essa preocupação com o mundo à nossa volta deu outra profundidade à atuação. A música de Máximo não procura apenas criar beleza; existe nela uma vontade de traduzir estados de espírito, perguntas e emoções que nem sempre encontram uma resposta através das palavras.

Num festival onde o movimento é quase permanente, houve momentos em que Cem Soldos pareceu suspender-se para ouvir. O piano ocupava o espaço sem precisar de o dominar.

A projeção internacional do jovem compositor já começou a ultrapassar fronteiras. Uma das suas composições foi escolhida para representar Portugal na Expo 2025, em Osaka, no Japão, levando a sua música para um palco muito além daquele que agora encontrou em Cem Soldos.

No Bons Sons 2026, porém, não foram precisas grandes geografias.

Bastou um piano, duas mãos e um público disposto a escutar.

Máximo lembrou que, mesmo no último dia de um festival, há momentos em que a melhor forma de avançar é simplesmente parar.

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🖋 Diana Silva

📸 Paulo Homem de Melo

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