Marquise fizeram do Bons Sons 2026 um encontro entre duas décadas

A tarde do terceiro dia do Bons Sons 2026 ganhou outra velocidade quando os Marquise chegaram a Cem Soldos. Vindos do Porto, os quatro músicos trouxeram consigo uma sonoridade que olha para trás sem viver de nostalgia, cruzando a sensibilidade pop dos anos 80 com a energia crua do rock dos anos 90.

Formados em 2022 por quatro estudantes universitários — Mafalda Rodrigues, Miguel Pereira, Miguel Azevedo e Matias Ferreira — os Marquise fazem parte de uma nova geração que parece cada vez menos interessada em escolher uma única referência. E isso tornou-se evidente em palco, onde diferentes épocas se encontraram sem parecerem deslocadas.

As guitarras trouxeram a força necessária para fazer o concerto avançar, enquanto as melodias revelavam um lado mais luminoso e cuidado. Entre uma coisa e outra, a banda encontrou um equilíbrio próprio: suficientemente pop para ficar na memória, suficientemente rock para não perder o impacto.

Havia também uma energia jovem na forma como os Marquise ocuparam o palco. Sem a necessidade de parecerem maiores do que são, os quatro músicos deixaram que a cumplicidade entre si conduzisse a atuação. O resultado foi um concerto espontâneo, direto e com aquela sensação particular de estar perante uma banda que ainda está a descobrir até onde pode levar as suas próprias canções.

O público foi acompanhando essa descoberta. À medida que os temas se sucediam, a ligação com a plateia tornava-se mais evidente, entre aplausos e movimentos que mostravam que aquela mistura de referências tinha encontrado o seu lugar em Cem Soldos.

Mais do que recuperar sonoridades de outras décadas, os Marquise mostraram que é possível pegar em diferentes memórias musicais e transformá-las em algo que pertence claramente ao presente.

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🖋 Diana Silva

📸 Paulo Homem de Melo

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