Guimarães Jazz… Uma presença efervescente e agitadora há 30 anos

Não existe um jazz fixado numa fórmula inamovível de música normativa. Foi a partir desta conceção, transformada em matriz orientadora, que ao longo do tempo fomos estruturando o Guimarães Jazz.”, afirma Ivo Martins, programador do festival.

Nas suas três décadas de existência, o festival pôs em prática visões utópicas e disruptivas, sempre guiadas por uma ideia de reavivamento do espaço público visto como esfera social e cultural integrada. Com o passar do tempo, o Guimarães Jazz alterou-se, acompanhando o movimento das suas circunstâncias envolventes, e foi sempre enfrentando sem receio o inevitável desfasamento entre realidade e ficção.

 

O Guimarães Jazz 2021 será inaugurado pelo novo trio do pianista de ascendência indiana Vijay Iyer (11 novembro), acompanhado por dois excelentes músicos da cena jazzística nova-iorquina: a baixista malaia Linda May Han Oh e o baterista norte-americano Tyshawn Sorey. Num programa em que a tónica dominante é, ao contrário do que tem sido a tendência dos últimos quinze anos do festival, a preponderância de músicos com origem fora dos Estados Unidos da América, o contingente norte-americano será representado também pela banda de jazz idiossincrático de Chris Lightcap SuperBigmouth (13 novembro), acompanhado por um grupo de nomes notáveis da música atual como Tony Malaby ou Chris Cheek, e pelo Black Art Jazz Collective (19 novembro), um grupo constituído por instrumentistas de renome, entre eles o saxofonista Wayne Escoffery e o trompetista Jeremy Pelt.

 

No âmbito dos concertos de grande perfil apresentar-se-ão também concertos do quarteto do saxofonista porto-riquenho Miguel Zenón (12 novembro) (na foto), um músico que acompanhou de perto a história do Guimarães Jazz, e dois dos projetos colaborativos do festival: o já tradicional concerto da Big Band da ESMAE (14 novembro), este ano dirigida pelo pianista e compositor  Ryan Cohan, e a nova edição da parceria com a Orquestra de Guimarães (17 novembro), desta vez em conjunto com Niels Klein Trio, dirigido por este talentoso saxofonista da nova geração do jazz alemão.

 

Em 2021, o Guimarães Jazz consolida também uma vertente que se tem vindo a acentuar na programação nos últimos anos do festival, relacionada com uma maior atenção a projetos internacionais de menor perfil mediático mas que acrescentam uma dimensão de risco musical e intimidade emocional por vezes difícil de atingir nos concertos que têm lugar no Grande Auditório do CCVF.

Este ano, esse espaço será ocupado num primeiro momento pelo WHO Trio (13 novembro), uma formação helvético-americana de avant-jazz que inclui o histórico baterista Gerry Hemingway, e pelo duo do trombonista suíço Samuel Blaser em colaboração o guitarrista francês Marc Ducret (20 novembro), reconhecido pela crítica jazzística como um dos músicos mais influentes do jazz europeu dos últimos trinta anos.

 

Esta edição do Guimarães Jazz, na qual se voltam a repetir as parcerias com a associação Porta-Jazz (14 novembro) – assumida este ano por um quinteto liderado pela performer Inês Malheiro, em colaboração com a artista Carolina Fangueiro – e com o coletivo Sonoscopia (18 novembro) – que propõe o duo de improvisação não convencional formado por Henrique Fernandes e Joana Sá –, vê atuar no seu último dia a formação convidada para uma tripla missão nesta edição, Ryan Cohan Quintet, liderada pelo pianista e compositor nativo de Chicago Ryan Cohan que virá acompanhado por um naipe de músicos de grande nível – o trompetista Tito Carrillo, o saxofonista Scott Burns, o contrabaixista Lorin Cohen e o baterista George Fludas – precedendo aquele que será o seu culminar protagonizado por uma orquestra, como é habitual.

 

Neste caso, caberá à prestigiada Frankfurt Radio Big Band (20 novembro) – que regressa a Guimarães para um concerto dirigido pelo reputado diretor musical e arranjador Jim McNeely e em colaboração com a saxofonista chilena Melissa Aldana, uma das figuras emergentes do jazz atual – a responsabilidade de colocar um ponto final num “ciclo de trinta anos deste festival, celebrados com o ecletismo e a diversidade estilística, geracional e geográfica que são, ou pelo menos assim o acreditamos nós, o presente e o futuro desta música.” (Ivo Martins)

 

O regresso das essenciais atividades paralelas do festival é marcado nesta edição pelas exposições “A Sabedoria do Espanto” – mostra dedicada aos 30 anos de Guimarães Jazz que inaugura no Palácio Vila Flor às 18h do dia do arranque do festival, incluindo neste âmbito uma Visita Orientada à mesma no dia 13 pelas 11h – e “60/30”, exposição de fotografias que invoca a memória das jams sessions que tiveram lugar no Convívio Associação Cultural ao longo das 30 edições do festival e que ocupam um lugar único no coração de todos, de artistas e público. Jam Sessions estas, sempre concorridas e vibrantes, que estão de regresso ao Convívio (11 a 13 novembro) e ao Café Concerto do CCVF (18 a 20 novembro), lideradas nesta edição pelo já referido Ryan Cohan Quintet.

Esta mesma formação dirige igualmente as estimadas Oficinas de Jazz (15 a 19 novembro), que este ano veem também o seu regresso ao festival, proporcionando o contacto direto com um grupo de músicos internacionais que se deslocam propositadamente dos EUA a convite do festival, fixando-se em Guimarães durante duas semanas. As inscrições nesta oficina encontram-se abertas até 8 de novembro, podendo ser efetuadas gratuitamente através do formulário disponível online em ccvf.pt. Antes do concerto deste ano do projeto Porta-Jazz / Guimarães Jazz (14 novembro), serão apresentados os discos resultantes das edições anteriores (2019 e 2020), momento que teve de ser adiado devido ao contexto de pandemia.

 

11 novembro

19h30 | CCVF / Grande Auditório 

The Vijay Iyer Trio 

Featuring Linda May Han Oh and Tyshawn Sorey

 

12 novembro

19h30 | CCVF / Grande Auditório 

Miguel Zenón Quartet

 

13 novembro

16h00 | CCVF / Pequeno Auditório 

WHO Trio

19h30 | CCVF / Grande Auditório 

Chris Lightcap’s SuperBigmouth

 

14 novembro

16h00 | CCVF / Grande Auditório 

Big Band da ESMAE dirigida por Ryan Cohan

19h30 | CIAJG / Black Box 

Projeto Porta-Jazz / Guimarães Jazz

Inês Malheiro

 

17 novembro

19h30 | CCVF / Grande Auditório 

Niels Klein Trio & Orquestra de Guimarães

 

18 novembro

19h30 | CCVF / Pequeno Auditório 

Projeto Sonoscopia / Guimarães Jazz

Henrique Fernandes e Joana Sá

 

19 novembro

19h30 | CCVF / Grande Auditório 

Black Art Jazz Collective

 

20 novembro

16h00 | CCVF / Pequeno Auditório 

Samuel Blaser & Marc Ducret

18h30 | CCVF / Pequeno Auditório 

Ryan Cohan Quintet

21h30 | CCVF / Grande Auditório 

Frankfurt Radio Big Band & Melissa Aldana

 

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