Depois de um primeiro dia marcado pelo encontro entre diferentes gerações da música portuguesa, a primeira edição do Rock & Dão voltou a abrir portas para o seu segundo e último dia. No fim da tarde, foram os GANSO a dar o primeiro passo, trazendo para Viseu uma das linguagens mais reconhecíveis do rock independente português da última década.
Formados em Lisboa, em 2015, os GANSO rapidamente encontraram um espaço próprio dentro de uma nova geração de bandas que ajudaram a renovar a forma de pensar e editar música em Portugal. Integrados no universo da Cuca Monga, construíram um percurso marcado pela liberdade criativa e por uma identidade que não precisa de seguir fórmulas para se afirmar.
Em palco, João Sala, na voz e teclados, juntou-se a Luís Ricciardi, Miguel Barreira, Gonçalo Bicudo e Diogo “Horse” Rodrigues para transformar a abertura do último dia numa verdadeira declaração de intenções. A banda trouxe consigo a força das guitarras, a presença dos teclados e uma secção rítmica capaz de dar às canções diferentes níveis de intensidade.
A música dos GANSO vive precisamente desse equilíbrio. Existe uma matriz rock evidente, mas também espaço para outras texturas e para uma construção mais cuidada dos ambientes. As canções podem crescer lentamente antes de encontrarem momentos de maior força, criando uma dinâmica que funciona tanto na escuta como na experiência ao vivo.
Havia também algo de simbólico naquela atuação. Um festival novo começava o seu segundo e último capítulo com uma banda que representa uma geração responsável por abrir novos caminhos para a música independente nacional. Depois de décadas em que o rock português foi encontrando diferentes formas de se reinventar, os GANSO surgem como parte de uma continuidade que não olha para trás com nostalgia, mas procura novas possibilidades.
O público recebeu a banda como quem regressa ao recinto para continuar uma história que tinha começado no dia anterior. A tarde foi ganhando movimento e o palco começou a assumir novamente o seu papel central, preparando Viseu para mais algumas horas de música.
Os GANSO não precisaram de transformar a abertura do segundo dia num manifesto.
Bastou-lhes tocar.
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🖋 Diana Silva
📸 Paulo Homem de Melo


