Ao terceiro dia do Primavera Sound Porto 2026 recebeu os galegos Triángulo de Amor Bizarro.
O concerto começou envolto numa tensão quase palpável. Durante breves segundos, parecia que tudo estava suspenso, à espera do primeiro movimento. Mas os Triángulo de Amor Bizarro trocaram a expectativa pela explosão e arrancaram com uma fúria avassaladora, transformando imediatamente o palco num campo de batalha sonoro onde a distorção, a emoção e a intensidade assumiram o controlo.
Mas, como sempre acontece com os Triángulo de Amor Bizarro, o caos nunca é apenas caos. Debaixo da intensidade existe uma sensibilidade melódica única, capaz de transformar o ruído em emoção pura.
As primeiras filas entregaram-se por completo à experiência. Corpos em constante movimento e uma energia contagiante espalharam-se pelo recinto. A cada nova canção, a intensidade aumentava.
Houve momentos em que o Parque da Cidade parecia vibrar ao mesmo tempo que a banda. Uma autêntica massa humana a saltar, a cantar e a deixar-se levar pelas ondas de distorção que chegavam do palco. Não existiam distrações. Apenas música, suor e uma comunhão coletiva que transformou o concerto numa experiência quase física.
Em palco, a banda mostrou-se implacável. Sem pausas para respirar e sem concessões, os galegos construíram um alinhamento intenso, onde cada tema parecia empurrar o seguinte para um nível ainda mais elevado de energia. A garra demonstrada pelos músicos encontrou um reflexo imediato na multidão, criando um círculo de exaltação permanente entre palco e público.
À medida que o concerto se aproximava do fim, a intensidade manteve-se intacta. O público continuava a cantar sem voz, a saltar sem descanso e a absorver cada segundo como se aquele momento não se fosse repetir.
__________________________________________________________________________________________________________________________
🖋 Diana Silva
📸 Paulo Homem de Melo


