O Sagres Campo Pequeno, em Lisboa, recebeu a 27 de outubro Anastacia, uma das vozes mais reconhecíveis da pop internacional, para uma noite marcada por grandes êxitos, revisitações e uma carreira construída entre a força vocal e a capacidade de transformar experiências pessoais em canções. Integrado na digressão “#NTK25 Tour”, o concerto assinalou o reencontro da artista norte-americana com o público português e encerrou esta etapa da tournée europeia.
Antes da entrada da cantora, os ACROBVT abriram a noite com uma sonoridade que cruzou eletrónica, guitarras e atmosferas de inspiração pós-punk. A atuação preparou o ambiente para um espetáculo que percorreu diferentes momentos do repertório de Anastacia, desde os temas que a projetaram internacionalmente até às canções que revelam outras dimensões da sua identidade musical.
A abertura fez-se com uma introdução instrumental que recuperou fragmentos de êxitos como “Paid My Dues” e “Left Outside Alone”, antes de a artista avançar para “One Day in Your Life”. A escolha estabeleceu desde cedo a ligação entre o presente e a memória de uma carreira que começou no final dos anos 90 e rapidamente conquistou audiências em vários pontos do mundo.
A voz de Anastacia continua a ser o elemento central da sua identidade. Reconhecível pelo timbre rouco e pela potência que atravessa os seus refrões, a cantora construiu um território próprio entre a pop, o rock e o soul. Ao longo dos anos, essa combinação permitiu-lhe afirmar uma personalidade artística que não depende apenas da dimensão dos êxitos, mas também da intensidade com que os interpreta.
Em Lisboa, essa identidade surgiu em canções como “Staring at the Sun”, “Paid My Dues”, “Don’tcha Wanna” e “Sick and Tired”. São temas que ajudam a compreender a longevidade do seu repertório: melodias diretas, refrões marcantes e uma interpretação que coloca a voz no centro da narrativa. O alinhamento incluiu ainda “Made for Lovin’ You”, mantendo o concerto em diálogo com diferentes fases da discografia.
A estrutura do espetáculo permitiu também uma mudança de ambiente. Na segunda parte, as versões mais intimistas de “How Come the World Won’t Stop”, “Welcome to My Truth” e “Wishing Well” deram espaço a uma abordagem acústica, aproximando a interpretação da dimensão emocional das canções. Este momento revelou um lado diferente da artista, menos dependente do impacto imediato e mais centrado na relação entre a voz e a palavra.
A noite não ficou, porém, limitada ao seu próprio repertório. O alinhamento incluiu uma versão de “Sweet Child o’ Mine”, dos Guns N’ Roses, e momentos musicais entregues aos vocalistas de apoio, com passagens por temas conhecidos de outros nomes da pop e do rock. Estas escolhas ampliaram o universo do concerto e introduziram novas referências numa atuação construída em torno da celebração musical.
Na reta final, “Left Outside Alone” voltou a ocupar um lugar de destaque, antes de o encore recuperar duas das canções mais emblemáticas de Anastacia: “Not That Kind” e “I’m Outta Love”. O espetáculo regressou depois a “Left Outside Alone”, numa repetição em que o refrão foi interpretado acappella pelo público, prolongando um dos temas mais reconhecidos da carreira da cantora.
Lançado em 2000, “Not That Kind”, o álbum de estreia que deu título a um dos momentos finais da noite, ajudou a definir a identidade de Anastacia e abriu caminho a uma sequência de êxitos internacionais. Mais de duas décadas depois, essas canções continuam a funcionar como pontos de encontro entre a artista e diferentes gerações de ouvintes, preservando a energia que as tornou marcantes no início do milénio.
O concerto de Lisboa foi também o último da digressão “#NTK25 Tour”, encerrando este percurso europeu com um repertório que percorreu várias fases da carreira. Entre os grandes refrões, os momentos acústicos e as versões de outros artistas, Anastacia apresentou um retrato abrangente da sua identidade musical, sem perder de vista aquilo que a distingue: uma voz que combina potência, aspereza e emoção.
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🖋 Diana Silva
📸 Arlindo Homem

