Canções de Granito: A noite em que o Coliseu do Porto voltou a ser o coração da Europa

Passados precisamente 25 anos desde que o Porto se vestiu com o manto de Capital Europeia da Cultura (Porto 2001), o Coliseu Porto Ageas foi palco, no passado dia 6 de novembro, para um ato de homenagem à música, à resiliência e à identidade portuense.

O espetáculo especial reuniu quatro nomes famosos do Norte: Pedro Burmestre, Três Tristes Tigres, os GNR e Pedro Abrunhosa, que reinterpretaram canções que possuem uma ligação com a Cidade, perante uma sala completamente esgotada e uma plateia vibrante.

Mais do que um concerto, um manifesto a Cultura que muitas vezes fica “esquecida” ou relevada ao 2º plano, por políticos, empresários e também pelo trabalhador.
A Cultura, esse expoente máximo de um povo, acaba virando um pesadelo ou um monstro de 7 cabeças para certas pessoas, que adoram criar problemas, polarizar e desvalorizar o processo de evolução da humanidade, principalmente nos dias de hoje.

A noite começou sob o signo da sofisticação. Pedro Burmester, ao piano fez ecoar pela sala melodias eruditas carregadas de simbolismo

Seguiram-se os Três Tristes Tigres, que trouxeram o pop vanguardista que marcou a viragem do milénio, comandada pela voz de Ana Deus e a guitarra visceral de Alexandre Soares, revisaram músicas que aqueceram a plateia.

Como não podia deixar de ser, os GNR assumiram o comando com a irreverência habitual de Rui Reininho, transformando o Coliseu num coro gigante e contando com a participação especial de Pedro Abrunhosa na música “Efetivamente”.

O clímax da noite chegou com Pedro Abrunhosa, que na primeira música presta uma belíssima homenagem a Jorge Palma, interpretando “Encosta-te a Mim” enquanto era projetada uma imagem do falecido músico num grande telão, sendo no final aplaudido de pé. Pedro Abrunhosa e a sua banda, os Comité Caviar, sempre oferecem uma performance inesquecível, marcante e uma incrível comunhão com o público.

Durante os intervalos de cada concerto o DJ Pedro Tenreiro passava músicas de outros artistas relacionadas com o Porto e o artista visual VJ João Parra, projetava imagens icónicas da cidade.

Não faltaram também, algumas palavras de apoio aos protestos da habitação e aos conflitos armados mundiais.

Os clássicos ganharam uma nova roupagem. O Porto não é apenas um ponto geográfico e a sua identidade não é estática, ela é pulsante e marcante.

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🖋 📸 Sérgio Pereira

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