Ganso celebraram dez anos de estrada numa viagem pela sua identidade musical

A Escola de Artes e Ofícios de Ovar recebeu, a 5 de novembro, os Ganso para um concerto que assinalou uma década de percurso de uma das bandas mais interessantes da música independente portuguesa. Num ano particularmente simbólico para o grupo, a formação levou até Ovar um alinhamento de 13 temas que percorreu diferentes fases da sua história, entre canções que marcaram o caminho e material que confirma a contínua vontade de experimentar.

Dez anos depois dos primeiros passos, os Ganso continuam a afirmar uma identidade própria, construída sem receio de explorar novos territórios sonoros. Ligados à editora Cuca Monga desde 2015, João Sala, Luís Barros, José Gomes, Miguel Barreira e Francisco Sousa têm desenvolvido um percurso marcado pela transformação, pela irreverência e por uma abordagem muito particular à música feita em português.

A celebração desta década começou em março, com um concerto especial no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, e prolongou-se ao longo do ano. A passagem por Ovar representou mais um capítulo dessa comemoração, numa sala de dimensão mais próxima, mas com a mesma oportunidade de revisitar um percurso que já conta com três álbuns: “Pá Pá Pá” (2017), Não “Tarda” (2019) e “Vice Versa” (2024).

O concerto abriu com “Vice-versa”, tema que deu início a uma viagem por diferentes momentos da discografia. Seguiram-se “Nem Sonhar” e “Nos Anos 20”, antes de “Fetiche Fonético” trazer de volta uma das canções mais reconhecíveis do universo da banda. O alinhamento avançou depois por “Botas a Brilhar”, “GANSÃO” e “Sinais a Mais”, revelando a diversidade de um repertório que tanto encontra espaço para a ironia como para a melodia e para a experimentação.

A segunda metade do concerto passou por “Não Tarda”, “Mal Vestido” e “Deixar-te”, dois dos temas mais recentes que mostram a fase atual do grupo. O duplo single confirma uma banda interessada em continuar a alargar a sua linguagem, sem perder a personalidade que a tornou reconhecível. A produção de “Vice Versa”, gravado nos estúdios La Frette, em Paris, com produção de Domingos Coimbra, dos Capitão Fausto, e engenharia de som de Anthony Cazade, acompanha essa procura por novas sonoridades.

Já perto do final, “Sorte a Minha” recuperou um dos temas que mais contribuiu para aproximar os Ganso de um público alargado. A canção tornou-se um dos momentos centrais do percurso recente da banda e continua a representar uma das suas portas de entrada mais reconhecidas. Seguiram-se “Herói – Vilão” e “Papel de Jornal”, que encerrou o alinhamento.

Ao longo destes dez anos, os Ganso foram construindo uma trajetória que não se explica apenas através dos discos ou dos temas mais populares. A sua força está também na capacidade de mudar de direção, de experimentar e de encontrar novas formas de trabalhar a canção portuguesa. Entre a energia do indie rock, as guitarras, as texturas alternativas e uma escrita que observa o quotidiano com um olhar próprio, a banda tem sabido evitar a repetição de uma fórmula.

A passagem pela Escola de Artes e Ofícios teve ainda uma dimensão de proximidade, coerente com a proposta do espaço de Ovar, que prolongou a experiência com uma conversa de bastidores após a atuação. Um momento que permitiu levar o encontro para além da música e aproximar o público do processo criativo e do percurso dos artistas.

Dez anos depois, os Ganso continuam a levantar voo sem perder de vista o caminho percorrido. O concerto de Ovar foi uma celebração feita de canções, memórias e novas direções, mostrando uma banda que olha para a sua história não como um ponto de chegada, mas como um território ainda em construção.

Alinhamento:

– Vice-versa

– Nem sonhar

– Nos anos 20

– Fetiche fonético

– Botas a brilhar

– GANSÃO

– Sinais a mais

– Não tarda

– Mal vestido

– Deixar-te

– Sorte a minha

– Herói – vilão

– Papel de jornal

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🖋 Diana Silva

📸 Paulo Homem de Melo

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