Fingertips transformaram a Super Bock Arena num palco de união, música e emoção

A Super Bock Arena, no Porto, recebeu a 6 de novembro os Fingertips para uma noite que assinalou um novo capítulo na história da banda portuguesa. Com mais de duas décadas de carreira e um novo álbum de originais, “Beautiful Souls”, o grupo liderado por Zé Manel apresentou um espetáculo onde a memória dos grandes êxitos se cruzou com novas canções e uma mensagem que ultrapassou a música: a importância da paz, da união e do combate ao ódio.

A abertura da noite trouxe uma dimensão particularmente especial ao espetáculo. Diversas escolas de dança do Porto participaram numa apresentação integrada no movimento “Paz em Movimento”, criado pelos Fingertips como forma de promover a paz entre todos e combater o ódio. Através da dança, os participantes deram corpo a uma mensagem de união, mostrando como diferentes expressões artísticas podem encontrar um espaço comum e transformar um palco num lugar de partilha.

A iniciativa esteve também ligada ao videoclipe de “People Like You”, o novo single da banda, que conta com a participação de quase 300 alunos de escolas de dança. A apresentação deste trabalho reforçou a intenção dos Fingertips de associar a música a uma mensagem de humanidade e respeito, num momento em que a necessidade de construir pontes entre pessoas se torna cada vez mais evidente.

Depois de uma ausência de 14 anos dos discos de originais, os Fingertips regressaram em outubro com “Beautiful Souls”, um álbum de dez canções editado pela Metrosonic Records. O trabalho representa uma nova etapa para a banda e parte de uma reflexão sobre as contradições da condição humana: o amor e a perda, a ansiedade e a esperança, a fragilidade e a vontade de recomeçar.

Entre os temas que compõem o disco encontram-se “Panic Attack”, “People Like You”, “Time Machine”, “Only Fans” e a faixa-título “Beautiful Souls”. Canções que revelam uma banda interessada em acompanhar o presente, cruzando a pop, o rock e a eletrónica, sem abandonar a dimensão emocional que sempre caracterizou a sua música.

O novo álbum não apagou, naturalmente, a importância do passado. Ao longo de mais de duas décadas, os Fingertips construíram uma ligação muito própria com várias gerações de ouvintes, através de canções que permaneceram na memória coletiva. O regresso aos discos surge agora acompanhado por uma vontade de olhar em frente, mas também de reconhecer o caminho que tornou possível esta nova fase.

No centro desta história continua Zé Manel, cuja voz e interpretação são elementos fundamentais da identidade do grupo. O seu percurso artístico, que incluiu vários trabalhos a solo e experiências musicais fora da banda, trouxe novas perspetivas a este reencontro. “Beautiful Souls” reflete também essa maturidade, procurando uma abordagem mais consciente às relações humanas, à identidade e à forma como cada pessoa enfrenta as suas próprias contradições.

A apresentação na Super Bock Arena assumiu, por isso, um significado que foi além da estreia ao vivo do novo repertório. Foi um encontro entre diferentes gerações, entre a memória dos temas que acompanharam o crescimento da banda e a descoberta das canções que agora começam a definir o seu futuro. A participação das escolas de dança acrescentou uma dimensão coletiva a essa celebração, fazendo da mensagem de paz uma parte integrante da experiência.

Com “Beautiful Souls”, os Fingertips regressam aos originais sem procurarem viver apenas da nostalgia. O novo trabalho fala de pessoas reais, das suas imperfeições, dos seus medos e da capacidade de continuar a acreditar. É uma visão que encontra eco no movimento “Paz em Movimento”, onde a arte surge como instrumento de aproximação e de resistência à intolerância.

A 6 de novembro, a Super Bock Arena foi palco de um concerto que juntou música, dança e uma mensagem necessária. Os Fingertips celebraram o percurso feito, apresentaram uma nova etapa e lembraram que, num mundo tantas vezes marcado pela divisão, a união continua a ser uma escolha possível.

Porque a música pode emocionar, a dança pode aproximar e a paz também se pode pôr em movimento.

Alinhamento:

– More than dying

– Shockwave

– Heaven in my hell

– Musk

– Melancholic + final

– I can still love

– Panic attack

– Picture remix

– People like you

– Time machine + manchild

– Cruel intentions

– Rock you

– Cause to love you

– Bruises

– Shadow walker

– Move faster

– Enjoy the silence

– Do it

– People like you

__________________________________________________________________________________________________________________________

🖋 Diana Silva

📸 Paulo Homem de Melo 

Partilha