Ana Lua Caiano lança “Devagar Que A Vida É Curta”

Com edição da editora alemã Glitterbeat Records, “Devagar Que A Vida É Curta” é um álbum que oscila entre a urgência e a contemplação. Surge como reflexo da vida contemporânea, mas assombrado por temas profundamente enraizados nas narrativas tradicionais de várias culturas: a morte, a impermanência, o esgotamento, a transformação e a frágil ilusão de que haverá sempre mais tempo.

Munida de um leque cada vez mais eclético de instrumentos e técnicas, Ana Lua Caiano entrega um disco de estreias: aos sons já característicos de outros lançamentos, junta-se um maior destaque às teclas, piano, sopros, harmonias vocais e um trabalho de sobreposições cada vez mais inquietante e desenfreado. Uma engrenagem ligada e que continua viva e a aumentar de ritmo.

São 13 canções (entre 15 temas totais) que se comprometem a dar voz às afiadas letras de Ana Lua Caiano, com um olhar sempre atento às lutas do quotidiano, numa consciência dos maiores desafios sociais que enfrentamos de forma coletiva. É uma voz que canta as ânsias de milhões de jovens a uma escala mundial, com dores sobre o ritmo desenfreado de viver e a cada vez mais sufocante tentativa de criar lugar. Um grito de alerta e, acima de tudo, temas que nos tentam acordar de uma apatia coletiva tão característica destes novos tempos, criada por um estado assoberbado de conteúdo e estímulos. 

“Devagar Que A Vida É Curta”, em termos sonoros, volta trilhar caminho por uma amálgama de referências, a artista portuguesa continua a combinar os elementos folk com a electrónica, mas há também apontamentos das obras dos cantautores de intervenção de Portugal, elementos de música clássica, art pop e até glitch music.

Das letras ao som, construído em torno do contraste, da tensão e do movimento, o álbum oscila constantemente entre a intimidade e a ruptura, do indivíduo para o colectivo. “Devagar Que A Vida É Curta” tem os olhos postos num futuro de progresso e de interligações entre passado e presente, sem um saudosismo às vezes associado à exploração da tradição. 

Ana Lua Caiano expande o seu próprio universo, continuando a ser uma artista progressiva e transgressiva na forma como cria música, é, ao mesmo tempo, ancestral e futurista, íntima e política, assombrosa e cheia de vida.

É a máquina de instrumentos e sons a tentar devolver-nos humanidade através da sua poesia, o artifício sempre a favor do que é humano.

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🖋 Redação / press release

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